Rui Leitão

Jornalista e escritor.

Política

Sandices e Idiotismo: a naturalização dos absurdos


01/05/2024

Estamos vivendo um tempo em que as pessoas nem mais se dão conta da naturalização dos absurdos. A lógica, a sensatez e a ética são desconsideradas sem o menor constrangimento. Ninguém se envergonha mais em se apresentar como figura caricata, bizarra. Nem as lideranças políticas que deveriam dar o exemplo de compostura. Temos assistido, frequentemente, manifestações desses líderes protagonizando espetáculos de desatinos, patetices, e sendo aclamados por isso.

Muita gente já acha isso normal. Até aplaude as sandices, o idiotismo. É o que se pode chamar de idiocracia. O disparate, por mais extravagante ou excêntrico que possa parecer, se integra à normalidade do cotidiano nacional. Não há mais estarrecimento diante do esdrúxulo, do esquisito, do estapafúrdio. A tática é falar propositadamente o absurdo, numa espécie de teste, e em sendo negativa a repercussão, recuar esperando aparecer uma nova oportunidade para repetir o desvario. Talvez o tempo necessário para avaliar a melhor forma de apresenta-lo sem causar tanto espanto.

Experimentamos um processo de involução histórica. Grupos fanáticos reagem impulsionados por enunciados discursivos pautados por ideologias de extrema direita, reacionária, ultraconservadora. Aí, perdendo o senso crítico, aderem com facilidade ao absurdo, sem qualquer acanhamento. Tanto que não se exige de seus líderes, bom nível cultural, ou qualificação para exercerem posições de comando. São guiados por influência de marqueteiros profissionais que têm interesse na idiotização das massas. Existe um planejamento a ser continuado.

É impressionante como o absurdo tem poder sobre uma sociedade alienada. Quando ela se mostra vulnerável às mensagens e interesses ideológicos, sem a preocupação em compreendê-las, fortalece o exercício dos casuísmos por mais absurdos que sejam. Todo mundo sabe que a ingenuidade é muito útil para a manutenção do status quo. Aproveitar-se dos incautos é uma estratégia de meta política. Os absurdos tornam-se novidades que estimulam os discursos mais inimagináveis possíveis. Porém, aceitos como verdades incontestáveis e repetidos à exaustão por seus seguidores.


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