Gil Sabino

Jornalista e assessor de imprensa.

Paraíba

Riqueza, pobreza e miséria é ainda o nosso campo de vibração


24/07/2021

Nós, jornalistas, iniciamos o dia, atentos às notícias e como que scaneamos fazendo uma varredura no que há de novo. Geralmente nos preparamos para enfrentar o desafio da carga de energias deletérias, aquelas que causam efeito detonador no nosso emocional. E temos que ir em frente, porque logo, daqui a pouco, novas cargas chegam passando durante o dia sob a nossa bancada de trabalho. Às vezes, para aliviar, vem alguma boa notícia. Além disso, temos que ter jeito de como informar, como ajustar o vocabulário, o entendimento, para levar a notícia até os nossos perseguidores (assim mesmo), das redes sociais…

Nestes dias, li na coluna da blogueira, Anne Nunes, que escreve nesse mesmo portal, e seu texto focava nos “Bilionários, espaço e pobreza”. Tema, diga-se de passagem, muito oportuno. Anne Nunes é uma jovem que escreve muito bem e domina como ninguém o assunto. Dá gosto ver tanto talento junto numa só assinatura.

Escreve ela: “Nesses tempos de contemplação do espaço, a Organização das Nações Unidas (ONU) estima que, caso não sejam tomadas ações drásticas, eficientes e rápidas, cerca de 167 milhões de crianças vão viver na extrema pobreza até 2030. É esse o futuro que estamos construindo? Certamente sim, cada vez mais nebuloso e desumano. Estamos aprisionados em uma promissora concentração de renda. Alguns, no entanto, acompanham do camarote espacial”. A sua observação refere-se ao passeio a bordo de um foguete, do bilionário Jeff Bezos, na atualidade, o homem mais rico do mundo.

O texto de Anne Nunes nos leva a outros dados que li recentemente numa matéria publicada sobre “o desperdício de alimentos ao redor do mundo”. 19 Milhões de toneladas anuais, enquanto morrem milhares de crianças e famílias famintas, na miséria, aqueles mesmos, que nada tiveram para comer no dia de hoje até o presente momento.

Fora essa disparidade econômica, diante da ideia de que estamos trabalhando para um mundo melhor, vem os investimentos em armas superpoderosas, causadoras de destruição e guerras. A corrupção, os crimes organizados ou não, o tráfego de drogas, o desamor pela vida.

Sim, pode o meu texto parecer negativo. Porém, não é assim o meu desejo, o meu pensamento. Sei que se não houvesse a riqueza, não haveria os investimentos em educação, ciência, e não haveria outros avanços, enquanto a humanidade estacionaria.

Também a pobreza, que impulsiona o homem, e inicialmente o leva a procurar alimento para sua sobrevivência. Sem o que aponta a escala de Maslow, na hierarquia das necessidades humanas (Fisiologia – sexo e alimento, Segurança – proteção, Amor e Relacionamento – família, amizades, Estima – autoestima, conquistas, respeito, confiança, e Realização Pessoal – aceitação dos fatos, criatividade, solução de problemas, espontaneidade, moralidade, realização), estaria à humanidade condenada ao nada.

A chamada Pirâmide de Maslow traduz as necessidades humanas a partir da evolução estrutural dos seres pré-históricos, passando pelos sapiens, pelos neandertais, até o presente formato animal dos homens, em que caminham sobre duas patas (pés), utilizam mãos, movimentam o corpo, raciocinam, organizam ideias, e utilizam da razão. Ops!

Mas até chegarem aí, longo caminho de sofrimento e aprendizado, e a manutenção do equilíbrio interno do organismo de forma a regular os níveis sanguíneos de sal, açúcar, proteínas, gorduras, oxigénio, cálcio, equilíbrio ácido-base, temperatura entre outros parâmetros. Até a formação dos sentidos, de poder enxergar, captar imagem e movimento, refletir, obter respostas mentais e realizar, até poder organizar os sons, a fala, as linguagens, até perceber através do olfato, das vibrações auditivas, da sensibilidade de todo o corpo e obter automação dos órgãos internos como coração, pulmões, intestinos e demais, longa e sagrada batalha viveram os nossos seres semelhantes.

Enquanto homens ainda decidirem por fortunas para uso espontâneo em passeios bilionários e camarotes espaciais, como cita Anne Nunes; enquanto o uso de drogas fantasiando a realidade, e o uso da organização mental estiver ainda preso aos domínios do instinto, deixando de lado a inteligência, lamentavelmente estaremos condenados às provas e expiações, e teremos no mínimo algumas pandemias, sim, aumentando as estatísticas de morte. Tudo isto porque, às vésperas de atingir mais alto campo moral, ainda entre a Riqueza, a Pobreza e a Miséria, é este o nosso campo de vibração.  Trabalhemos pela vida, a felicidade e o amor. Apesar de tudo, estamos dando o melhor de nós e a caminho da luz.


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