Cultura

Quais os verdadeiros números do nosso Carnaval?

23/02/2020


Há mais ou menos cinco anos, lá estava eu como jornalista e representante da Revista Nordeste, entre os convidados da Prefeitura do Recife, em evento para lançamento do Carnaval da Capital do Frevo. Justamente ali, fui testemunha da assinatura do presidente regional da Ambev, de um cheque no valor de R$36, milhões, entregue ao Prefeito Geraldo Júlio, antecipando em três anos a participação da empresa no Carnaval de Recife. Sua cota patrocínio fazia parte de um planejamento de marketing, de posicionamento das marcas Ambev junto ao público consumidor de interesse da empresa na região. Além da Ambev, constavam também a Caixa, Ministério do Turismo, Governo do Estado e outras marcas. E lembro que foi um lindo Carnaval, com excelente resultado.

Aí, fiz um pit stop em São Paulo, onde permaneceria menos de um ano, e logo decidi voltar a morar na Paraíba, terra natal, quando surpreso, fiquei encantado com as possibilidades de marketing, os negócios na economia cultural, principalmente da Capital. Sabia eu, que havia na Paraíba, forte vocação para o evento junino, tendo como destaque O Maior São João do Mundo, em Campina Grande; e confesso até hoje não compreender porque não acontece o São João na Capital, João Pessoa, mesmo em menor tamanho, mas que fosse um como que evento coadjuvante, formando público, atendendo uma demanda de pessoas que tem de ir até a Rainha da Borborema, se quiser brincar e divertir.

Daí, parti para conhecer os espaços culturais, bares, restaurantes, teatros, etc. E conversei com pessoas, com artistas, produtores, gestores do setor cultural e turístico, empresários, gente de comunicação, jornalistas, intelectuais… Fiquei surpreso, diante da falta de visão e da existência de planejamento, de projetos de desenvolvimento econômico e implementação na área cultural.

A ausência de técnicos, de consultores de marketing, de pessoas capacitadas para indicar e atender os próprios gestores dos municípios e do Governo, enfim, a falta, principalmente, de pesquisas indicando os números de visitantes, hospedagem, consumo, durante períodos de Natal, Carnaval, Semana Santa, São João, e outros, com eventos de Verão e tudo o mais.

Não apenas pesquisas, mas também avaliação, diagnósticos, estudos, inclusive do impacto financeiro e seus resultados. Não há consultoria empresarial, cultural, que possa promover e ofertar números ao marketing corporativo de grandes empresas que, inclusive, já existem instaladas no Estado, como Magazine Luiza, McDonald´s, Ford, Fiat, e outras que, uma vez abordadas, logo interessariam participar de forma técnica e profissional, envolvendo suas marcas, fortalecendo suas imagens e aproximando do grande público, a grande massa.

Uma questão de organização e planejamento, de como instrumentalizar e utilizar ferramentas para viabilizar o negócio do Carnaval e outros eventos. Atrair pessoas, mantê-las e treina-las para atendimento e negócios. As empresas estão todas aí, antenadas, prontas para oportunidades de relações duradouras e fidelização com as comunidades. Basta ver a repetição anual de assinaturas de patrocínio, por exemplo, da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, com a Vitarella, Agua Sanitária Dragão, Asa, e outras. Os bancos estão aí, inclusive, próximos, atendendo contas das prefeituras da Capital e cidades do interior, e do Governo Estadual.

O que falta? Quais são os verdadeiros números do nosso Carnaval, com seus milhares de foliões pulando e consumindo de um para outro lado, como mostram as fotos ilustrativas desse artigo?
Acreditamos que o bonde passa, e está na hora dos nossos gestores abrirem os olhos para a questão econômica, a criação técnica e profissional de projetos culturais e de sustentabilidade com modelos adaptáveis ao nosso público. Temos já a demanda, temos os produtos e os eventos, falta um pouco de autoestima, de vontade política e posicionamento, de projeção de futuro. Falta incialmente saber quanto estamos ganhando ou perdendo, e falta colocar na mesa os verdadeiros resultados disso tudo. Por isso fica a pergunta: Quais os verdadeiros números do nosso Carnaval?

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