Geral

Política vs Carnaval

13/10/2003


Foto: autor desconhecido.

O presidente da Abrajet/PB, Willis Leal, produziu ontem com sua declaração propondo o fim de apoio financeiro ao projeto Folia de Rua – caso se mantenha como prévia e não se transfira para o período próprio do carnaval, o discurso avesso e antipático que o Seminário do Carnaval, promovido pela Câmara Municipal, não esperava contar.
    
Wilis, polêmico como sempre, motivou discórdia em plena iniciativa louvável do legislativo num instante em que mais o consenso precisa existir para aparar diferenças e construir saltos qualitativos na organização do carnaval de João Pessoa.
    
Mas, antes que o calor tome conta da razão, é preciso lembrar e refrescar a memória para não haver perda de tempo.

Primeiro, basta consultar os arquivos da Câmara que lá estão as ações dos vereadores Tavinho Santos e Júlio Rafael – se não me falha a memória – criando o tal Conselho do Carnaval.
    
Trocando em miúdos, a instância legal para o fomento do debate e propositura de alternativas do carnaval já existe e está apenas a esperar sua instalação e reconhecimento das diversas instâncias de Poder e da sociedade.
    
Quanto ao nível da retração, diminuição ou coisa parecida do número de pessoas no carnaval, trata-se de uma série de fatores que, aliás, não têm culpados por quanto todos são responsáveis.

O fiasco do carnaval não pode nem nunca será resolvido por decretos nem com transferência de responsabilidade. Os governos e os escassos patrocinadores inexistem como reforço estrutural porque o movimento carnavalesco não soube até hoje refazer sua organização e produzir formas ( e existem ) de sua auto-sustentação.
    
Além do mais é indispensável atentar para o fato de que é inconstitucional projetar despesas com carnaval – ou outra iniciativa do gênero – no Orçamento de 2004, porque essa é uma prerrogativa exclusiva do Executivo.
    
Aliás, não haverá nenhum avanço concreto enquanto houver distância profunda nas relações da iniciativa privada, que banca, dos setores oficiais responsáveis pelo repasse possível, com as entidades compostas de gente dedicada, entretanto, desprovida de estratégia sem saber tratar o carnaval com outra visão.
    
Pode parecer trato meramente capitalista, mas não é. Tanto é assim que a Liga das Escolas do Rio, de São Paulo quanto as entidades do carnaval baiano se impõem porque, além de fazer samba e axé têm organização bem resolvida com os grandes patrocinadores e convivem com os governos em nível harmonizado.
    
Em síntese, tanto o carnaval quanto outras manifestações, de um tempo para cá só vão crescer mais ou ter perspectiva se se adaptarem, em alguns casos mudar por inteiro, a concepção de produzir as coisas com nova visão organizacional, porque o elemento oficial este é de responsabilidade dos governos.

Nesse último caso, aí sim, cabe apoio à quem vive fazendo carnaval como folclore, de raiz puramente.

Como dantes
    
Os governadores voltaram à Brasília para insistir no retorno do projeto original da Reforma Tributária, já aprovada na Câmara Federal, mas emendada no Senado Federal.
    
Depois de inúmeras ações junto aos senadores deixaram a Capital Federal manifestando protesto à manutenção do `novo´ projeto.
    
Juíza paraibana
    
A nova cidadã paraibana, juíza Helena Fialho, reproduzia ontem na Assembléia Legislativa sua tranqüilidade sobre o trato das matérias polêmicas no Tribunal Regional Eleitoral.
    
Ela considera forte o antagonismo político entre dois grupos no Estado, por isso atribui a demanda no TRE . Mesmo assim, já mandou avisar que o tribunal mantém-se tranquilo mirando 2004, ano de novas eleições.
    
Posição de Efraim
    
Antes de embarcar para Brasília,ontem, o senador Efraim Morais convivia com a repercussão de fato promovido por ele em Esperança. É que, na inauguração de matadouro na cidade disse que mantém sua parceria política e administrativa com o prefeito Arnaldo Monteiro, arquiinimigo do deputado Armando Abílio.
    
O fato é que Abílio andou afirmando que Efraim não subiria mais no palanque.
    
Ainda o crime
    
O deputado federal Luiz Couto voltou a criticar o parecer do relator da OAB, advogado Carlos Aquino, que, ontem, repetiu ter entendimento de que na concepção jurídica não há crime organizado no Estado.
    
Foi o suficiente para o parlamentar considerar contradição com a realidade e a posição de outros membros da OAB posicionando-se em contrário.
    
13º Salário
    
O prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, reconheceu ontem estar enfrentando sérias dificuldades para pagar o 13º Salário na data prevista, em dezembro, com o pagamento dos vencimentos do mês.
    
Ele disse que, a dados de hoje, não teria condições de efetuar o pagamento.
    
Umas & Outras
    
… O deputado Gervásio Filho, da CPI da Pesca, pediu ontem investigações para saber os motivos do alto consumo de óleo por barcos na costa paraibana.
    
… O escritor e mestre do jornalismo, Gonzaga Rodrigues, revelou ontem que acessa no mínimo três vezes ao o portal WSCOM – www.wscom.com.br. No Clube Cabo Branco ele foi a estrela principal com o lançamento do livro `Café Alvear´.
    
… O presidente da Assembléia Legislativa, Rômulo Gouveia, confirmou viagem a Mato Grosso do Sul depois de amanhã.
    
Última
    
` A folia não pertence a ninguém/ ta cada um na sua…´
    
        

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