Saúde

Pandemia de Covid-19: urge evitar o caos


26/02/2021

Imagem ilustrativa - Leito de UTI Covid-19

Ao optar pelo ineficiente combate gradualista à crise COVID-19, o mundo exagerou na insana vocação ao caos. O alto custo humano atesta o monstruoso desastre. Somente a China, que adotou um coerente tratamento de choque, conseguiu domar a pandemia.

Autoridades públicas e o poder econômico criaram um falso dilema: economia versus pandemia.  Mas que asneira! A COVID-19 é a causa maior da crise econômica! Há uma aposta na solução via vacina, mas sabendo-se que ela só virá de médio a longo prazo. E haja mortes, sofrimento nas UTI e angústia evitáveis.

Estados Unidos, Índia, Brasil, Inglaterra, Rússia, Espanha, Itália e França são os países mais afetados. A partir de agosto de 2020, o relaxamento da segurança sanitária e no isolamento social levou-os a uma nova grande onda de pessoas infectadas e mortas.

O caso do Brasil é muito preocupante. Nos últimos três meses explodiram os casos de infecção/mortes por COVID-19. São os ônus óbvios do afrouxamento do controle pandêmico pelo Poder Público, das aglomerações nas eleições, festas do fim do ano, carnaval e do descaso da população.

No Brasil, de 01.12.20 a 25.02.21, a média/dia de casos de infecção por COVID-19 foi de 46.639 e a de mortes 902: incrementos de 75% e 46%, em relação às respectivas médias de 01.09 a 30.11.20. Na Paraíba, a media/dia dos casos de infecção foi de 817 e a de mortos 13, com aumentos de 88% e 44% sobre as do período anterior considerado.

O Brasil convive danosamente com a COVID-19. Relaxam-se as prevenções, até a exaustão da capacidade do sistema de saúde, para iniciar um novo ciclo de medidas preventivas de curto alcance. Amenizam-se, assim, horrores extremos, como os de Manaus, mas com um imenso passivo de doentes e mortes, como nunca visto no país.

O mundo deve se orgulhar dos homens e mulheres das ciência e tecnologia que, em tempo recorde, criaram e produziram vacinas eficientes contra a COVID-19. Os brasileiros devem muito aos médicos e profissionais da saúde. Eles têm evitado o colapso absoluto das redes hospitalares e salvaram da morte milhões de infectados.

Até quando o Brasil vai combater o avanço da COVID-19 apenas reagindo à beira do caos? Por que só entrar em cena quando o uso da capacidade hospitalar de internamento e UTI passa de 90%? Esse desatino não contribui à recuperação econômica, pois alarga a dimensão e duração da pandemia e erode os fundamentos da economia.

Rômulo Soares Polari

Professor e ex-Reitor da UFPB

 

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