Paraíba

Os “sem noção”

22/02/2021


Na imagem, o historiador, produtor cultural e advogado Rui Leitão

Um “sem noção” é aquele indivíduo que não entende bem o que está fazendo, desconhecendo a realidade em que vive. Por isso tem uma facilidade enorme em produzir trapalhadas. O grande problema é que ele não percebe que é assim. Detesta seguir conselhos ou acatar repreensões. Não se constrange em passar por situações vexaminosas, porque não exercita a autocrítica. Da mesma forma como não se incomoda em causar embaraços a outras pessoas.

No curso de nossas vidas nos deparamos frequentemente com esse tipo de gente. Tanto no convívio social, quanto na observação de personalidades que assumem a condição de destaque como figuras públicas. Vivemos, portanto, cercados pelos “sem noção”. E isso faz com que nos lembremos de uma frase de Nélson Rodrigues quando afirmava que “os idiotas vão tomar conta do mundo, não pela capacidade, mas pela quantidade”. Estamos perdidos numa tempestade de falta de bom senso.

Os “sem noção” costumam misturar as responsabilidades do trabalho com a vida pessoal. Suas atitudes são caracterizadas pela falta de critérios. São contumazes promotores de bravatas, o que lhes oferece sérios riscos de cometerem fiascos. Nunca se reconhecem como figuras toscas e ridículas. Até porque encontram semelhantes que aplaudem suas bizarrices.

Como levar a sério o que diz e o que faz um “sem noção”? Alguém que se distingue pela capacidade de criar confusões? Eu comparo os “sem noção” a zumbis, sejam eles líderes ou liderados, perambulando sem saber o melhor caminho a seguirem, agindo de forma estranha e instintiva. Importante que fiquemos imunes ao contágio desse vírus que ataca consciências, na tentativa de não tornar fato consumado a previsão de Nélson Rodrigues a que me referi acima.

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