Rui Leitão

Jornalista e escritor.

Política

O TAMANHO DA ENCRENCA


30/09/2023

Atos antidemocráticos / golpistas do 8 de janeiro foram organizados por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) (foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A grande maioria dos vândalos golpistas que fizeram aquela baderna em Brasília no dia 8 de janeiro, não tinha ideia do tamanho da encrenca em que se meteram. Os primeiros julgamentos pelo Superior Tribunal Federal apontam sentenças que alcançam mais de 14 anos de prisão. Só agora descobriram que viviam num mundo paralelo, amargando uma prisão e arruinando suas vidas. Se bem que entre eles ainda existam fanáticos que permanecem propagando o discurso do golpe.

Vivendo sonhos alucinógenos, muita gente embarcou nessa, colocando em risco sua liberdade e se comportando como se não conseguisse enxergar a realidade. Manipulados, vagavam pelas ruas como zumbis, em manifestações que pregavam a ruptura democrática. Uma multidão de desocupados cantando o hino nacional para pneus e pedindo socorro aos ETs com o celular na cabeça. Episódios de dissociação cognitiva coletiva. Acreditavam tanto que o golpe ia dar certo que filmaram por seus próprios celulares os crimes que estavam cometendo.

Pessoas da classe média, dentre elas muitos idosos, com níveis baixíssimos de compreensão da ilusão a que estavam sendo submetidos, acampavam em frente aos quartéis do exército, reagindo contra os fantasmas do comunismo, da ideologia de gênero e do banheiro unissex, defendendo a reimplantação da ditadura militar, e afrontando, inclusive, autoridades do judiciário na adoção da retórica de ódio. Inocentes úteis foram levados ao crime.

Inimigos da democracia, cupins da República, partiram para o terrorismo depredando o patrimônio público. Mentes e corpos conquistados pelos ideólogos da extrema direita foram abandonados à própria sorte pelos que os lideravam. Aquela velha história: “o pau termina se quebrando nas costas dos mais fracos”. Os apoiadores do movimento, os mecenas, de repente, ficaram mudos e desapareceram, deixando órfãos os “amarelados” que se afirmavam patriotas.

O Brasil está voltando ao normal, menos para esses que, enganados, achavam que estavam exercendo um dever cívico, ao promoverem atos insanos de barbárie com o objetivo de matar a democracia. Esses agora, sucumbidos pela praga da desordem cognitiva, estão enfrentando as barras da justiça, curtindo um tempo de prisão. Uma força social reacionária moldada conforme os interesses da extrema direita.

O imperador romano Marco Aurélio, certa vez fez uma citação que define bem esses manifestantes que provocaram aquele bárbaro acontecimento do dia 8 de janeiro: “Diz a tua faculdade condutora: está morta, aniquilada, corrompida, embrutecida, reduzida à simulação e a ser um animal de rebanho que pasta.”


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