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O PIB da Cultura e nosso abismo estrutural

06/02/2020


Elba Ramalho, há mais de quatro décadas, um dos nossos talentos para o mundo. Imagem: Reprodução

São pouquíssimos os dados sobre a cultura no Brasil. Se perguntarmos quanto gasta ou investe o Governo, com cada indivíduo no país, certamente teremos um hiato para respostas. As cidades que despertam para maior investimento são Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Fortaleza, Recife, Curitiba e Porto Alegre.

Trazendo o assunto para nossa esfera, e tendo como modelo o nosso vizinho Estado de Pernambuco, em que são efervescentes os investimentos na área cultural com um número em média de 50 milhões, só para o Carnaval da Capital com 2,7 mil apresentações em 47 polos distribuídos entre os bairros da cidade; vemos que estamos postando um zero à esquerda. Somos pobres. E insistimos em manter essa postura de pires na mão.

Às portas do Carnaval, um dos maiores eventos estruturais do país, e que arregimenta enorme receita com o consumo de bebida, gastronomia, hotelaria, serviços de transporte, confecção de roupas, limpeza, aluguel de espaços para prévias e bailes, som, luz, contratação de bandas, músicos, artistas, trios elétricos, e tudo o mais, somos ainda pobres para enxergar.

Não gostaria que o leitor visse em nosso texto como que falta de otimismo. Não. Somos um dos maiores incentivadores para que a cultura floresça, para que nossos órgãos despertem para a riqueza econômica existente por trás de cada ação cultural, que revele os talentos, as potencialidades, de forma a desenvolver não apenas a cultura, mas ampliar o acervo, o calendário, as possibilidades todas que o mercado cultural pode e deve ofertar.

Ainda sobre os dados, andei buscando informação sobre alguns, e colhi que há dez anos nosso PIB estava na casa dos 6, 7 bilhões anuais. É possível que o mercado tenha estimulado esses números com alguns retrocessos aqui e acolá. O cinema faturou bem nos últimos anos e colocamos nossos produtos para concorrer em festivais mundiais. Os grandes festivais de música como o Lolla Palooza e o Rock In Rio, os desfiles das Escolas de Samba, os eventos religiosos, a visitação de turistas aos sítios históricos e acervo do patrimônio como museus, igrejas, memoriais, etc., exposições, feiras literárias, Paixões de Cristo, São João, aberturas de Verão, e muito mais.

Mas, afinal, para onde vai todo esse montante de dinheiro? Os impostos cobrados por cada ingresso, por cada livro, por cada entrada de cinema, cada fantasia adquirida nas lojas de roupas, cada latinha de cerveja ou refrigerante que se bebe, cada mídia de TV, rádio, internet, e outros variados tipos de consumo?

Recentemente ouvi da Primeira Dama Ana Lins, que o próximo passo para incentivo do artesanato da Paraíba é colocar nosso nome no Fashion Week, de São Paulo. Disse isso logo após o desfile Somos Todos Paraíba, no calor da emoção diante do sucesso daquele evento que privilegiou as rendeiras de Cariri paraibano. Que bom, entendermos que investir no artista, na cultura, é evoluir e caminhar para novos horizontes potenciais. É hora de avaliarmos maior nossos talentos e a riqueza artística. Hora de criar autoestima, hora de crescer. E vamos à luta!

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