Geral

O conservadorismo raivoso

26/10/2017


Foto: autor desconhecido.

 

Os ambientes virtuais das redes sociais têm revelado um fenômeno político que preocupa: o crescente conservadorismo raivoso. Alimentados por conceitos originados da intolerância ideológica e antidemocrática, disseminados pelo oligopólio midiático que impera em nosso país, surgem aqueles que estimulam uma “guerra cultural” através da internet.

Na ânsia de quererem fazer prevalecer suas opiniões desconhecem os limites do bom senso e criam tensões desnecessárias, vociferando críticas furiosas contra aqueles aos quais elegeram como inimigos políticos. O mundo virtual torna-se um escudo para a aplicação comportamental colérica, em razão da distância com o contendor e a possibilidade do anonimato.

Essa “onda conservadora” que se propaga no mundo inteiro, com ênfase no momento político nacional, abomina pautas progressistas e odeia conquistas sociais. Há uma insistente compreensão de que a mudança dos tempos não pode alterar valores, crenças e costumes adotados, fazendo do conservadorismo um palanque para discursos de raiva, opressão e violência. Observa-se, lamentavelmente, um engajamento ideológico para instigar o preconceito, agredir minorias sociopolíticas, assumir posturas egoístas do individualismo predatório, reagir contra mudanças sociais.

É falsa a manifestação de intercessão em favor dos “bons costumes da tradição” quando se verifica que está instigada pela ira, pela incompreensão, pela intransigência, pelo desdém. O extremismo moralista externado nas redes sociais não consegue argumentar com racionalidade suas idéias porque está apoiado na passionalidade e no fanatismo.

Difícil interagir com os protagonistas do conservadorismo raivoso. Eles não se permitem debater questões contemporâneas que contrariem seus pensamentos. Na falta de fundamentos que justifiquem seus posicionamentos, partem para a agressão, a chacota, a ofensa, na intenção de desqualificar os que se colocam em situação oposta a deles.


 

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