Política

Não se vence o caos perdendo a esperança

24/05/2020


Rui Leitão

Estamos vivendo a angustiante sensação do caos instalado. Percebe-se um rápido processo de agravamento das crises, sejam elas políticas, econômicas, sociais ou morais. E o mais preocupante é que estamos tendo dificuldade em vislumbrar a luz no fim do túnel, ainda que se façam necessárias soluções imediatas, rápidas, definitivas. Ficamos na busca de um farol na escuridão.

As incertezas e a ansiedade provocam um estado quase de desespero, porque ficamos sem saber o que está por vir. Isso produz um perigoso sentimento de medo e de pessimismo com o futuro. Trauma de um passado recente nos assusta. E o que fazer então?

Entendo que só conseguiremos resultados positivos a partir da reorganização das forças sociais e políticas, hoje desestruturadas por efeito das crises. Resgatar a autoestima nacional. Esse desafio tem que ser enfrentado pela sociedade civil e organismos do Estado, praticando um ativismo ético essencial para a reconstrução de uma república igualitária e justa. Repudiar o manobrismo político que levou o país a essa situação. Desarmar os espíritos beligerantes, com o objetivo de alcançar uma harmonia social.

É preciso compreender que o interesse público deve ter supremacia sobre o interesse privado. Não haverá ordem social sem que esse princípio seja considerado. Afinal de contas esse é o conceito básico do exercício da democracia. Não deixar que a participação política seja uma regalia destinada a privilegiados.

O primeiro passo, portanto, para superarmos esse estado de pânico diante do caos estabelecido é promover uma harmonia dos contrários. Acabar, de uma vez por todas, com o clima de guerra que tem determinado a prática política contemporânea. Onde não existe harmonia, não se verifica a serenidade. Quando a serenidade não se faz presente nas atitudes, é impossível obter resultados pautados no equilíbrio e na racionalidade. Estamos sendo vítimas de um estúpido movimento político de confrontos estimulados pela ambição do poder, do individualismo em detrimento do coletivo, do falso entendimento de que as vitórias são construídas nos combates, mesmo que desrespeitando valores éticos e morais.

Não se vence o caos, perdendo a esperança.

Rui Leitão

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