Gil Sabino

Jornalista e assessor de imprensa.

Economia & Negócios

Magalu – o case de negócios digitais que só cresce


06/05/2021

Magalu - Forte investimento em tecnologia digital, logística, e envolvimento humanitário, são resultados que refletem o crescimento mesmo em tempos de pandemia.

Faz tempo, o marketing entrou nas nossas vidas de forma definitiva. Marketing que dizer negócios, mercado, e vale para quase tudo hoje em dia. Quando estamos cuidando de nossas vidas, fazendo nossas escolhas, fazendo um pedido de pizza por entrega, remédio, móveis, eletroeletrônicos, ou simplesmente decidindo assistir um filme na tela 52″ do smarth no aconchego do nosso quarto em casa.

Faz tempo, mandávamos revelar fotos de nossos eventos e esperávamos quase três meses para recebê-las. Ou precisávamos importar um remédio e esse só chegaria após o paciente já ter sido morto e enterrado… Pois bem, estamos na era digital, onde somos parte desse mundo desenvolvido que corre pra tudo, com a velocidade da luz… Um mundo virtual, ao qual devemos nos ajustar para tornar a tecnologia cada vez melhor e a nosso serviço.

Faz tempo, o Magazine Luiza deixou de ser apenas uma loja física de móveis e eletro, para ser uma plataforma multicanal, digital. E hoje é um case de sucesso que só cresce, apesar da economia ressentir-se dos estragos da pandemia do covid-19 na vida das pessoas e no mercado mundial.

Mas, que estratégias de marketing levariam o Magazine Luiza a tanto sucesso e destaque?

 

 

Primeiro, a história começa com planejamento expressivo e seguro das ações a serem implementadas, quando a empresa passa a ser dirigida pela empresária Luiza Trajano. Segundo, quando resolve ampliar sua rede de lojas pelo interior de São Paulo e estados do sudeste, e fazer aquisição de outras pequenas redes espalhadas pela região. Porém, atualmente o case Magazine Luiza é modelo de investimento de grande valor em tecnologia.

A marca MAGALU passou a ter expressão entre as mais lembradas pela comunidade brasileira, e isso se deve a seu investimento tanto em tecnologia, como em pessoas. O Magazine Luiza não só ampliou sua rede de lojas (hoje tem mais de 1200 lojas físicas espalhadas no país), como investiu em capacitação e atendimento interno aos seus funcionários. Mais: abriu esse relacionamento franqueando parcerias com mais de 2000 fornecedores e steakholders.

Atualmente a empresa dispõe de um laboratório com mais de 500 colaboradores trabalhando num sistema de startup, criando, produzindo, desenvolvendo produtos e soluções para integrar todos os setores de suas lojas, centros de distribuição, ações financeiras, fornecedores, parceiros, vendedores, e clientes. A Magalu dispõe apps integrando ofertas, promoções, atendimento ao cliente, expondo produtos e suas possibilidades, facilitando entrega, trocas, e fazendo envolvimento social e humanitário.

Hoje é possível através do smartphone, escolher e comprar um produto e retira-lo em qualquer loja das mais de 1200 existentes no Brasil. Ou receber em casa com prazo recorde de um dia para entrega, por um custo baratíssimo, ou seja, o tempo menor do que se imaginaria há dois atrás quando se esperava até uma semana para receber uma mercadoria. O ecossistema Magalu integra desde o estoque, o caminho de saída dos produtos até a casa do consumidor, as lojas físicas, virtuais, e agora pequenas empresas associadas que utilizam o sistema Magalu para compra e venda e recebimento de valores e ações financeiras, além de muito outras possibilidades através de seus canais.

A revolução do Luiza Labs

O Luiza Labs é por si só um sucesso e conta com vendedoras virtuais que podem ser acessadas na palma da mão através de apps que se baixam no smarth. A mudança e a implementação do case de sucesso do Magazine Luiza deu início com o Luiza Labs, um laboratório de tecnologia do Magazine Luiza. A força de trabalho do Luiza Labs é gigante, ele conta com centenas de colaboradores para alinhar as estratégias digitais com a intenção de garantir que os clientes do Magazine Luiza tenham uma experiência digital cada vez mais agradável.

As soluções do Luiza Labs são as mais diversas, que vão desde as plataformas de aplicativos e site, até o “Magazine Você”, onde o consumidor pode criar uma vitrine virtual e comercializar os produtos recebendo uma comissão. A adesão desta plataforma possui mais de 300 mil usuários.

A vendedora virtual “Lu”, por si só já é um case de sucesso, que além de auxiliar os consumidores com as vendas do site, ainda tira dúvidas e simplifica os termos técnicos mais complicados. A popularidade é tamanha, que o “Canal da Lu” no YouTube, conta com mais de 1,6 milhão de inscritos, números dignos de uma influencer digital.

O case de sucesso do Magazine Luiza foi capaz de levar uma pequena rede de lojas do interior de São Paulo, a uma das principais redes varejista do Brasil, disputando, em condição de igualdade, com gigantes do setor, como Casas Bahia e Ponto Frio.

 

6 Estratégias que fizeram o Magazine Luiza ser um negócio digital

De todos os players brasileiros, a rede é o grande exemplo de quem colhe resultados com os investimentos em transformação digital. Veja o que ela fez

 

 

Desde que assumiu a presidência do Magazine Luiza, Frederico Trajano já afirmava o grande propósito de transformar a rede em um negócio digital, com lojas físicas e calor humano. E de todos os players do mercado de varejo, o Magazine Luiza é, de longe, um dos mais bem-sucedidos quando o assunto é transformação digital. E hoje a companhia colhe os resultados dessa visão.
Os números estão aí para todos verem. A companhia, que até 2015 ainda amargava resultados negativos, reverteu o jogo. No segundo trimestre deste ano, por exemplo, o Magazine Luiza registrou o seu maior lucro líquido da história da empresa, de R$ 72,4 milhões – um crescimento de quase 600% em relação ao segundo trimestre do ano anterior.

Nesse crescimento, o grande destaque tem sido as iniciativas digitais da empresa, que tem culminado no crescimento, trimestre a trimestre, do e-commerce da marca. Somente no segundo trimestre, as vendas desse canal subiram 55%. Hoje, a plataforma já representa 28% do total das vendas da empresa. Tudo isso resultou em alta de 44,5% no Ebtida da empresa.
“ Crescer 55% com uma operação ajeitada é muito difícil”, disse Trajano, em conferência a analistas. “E a nossa logística, toda a nossa equipe de desenvolvimento trabalhando para melhorar as implantações na plataforma, o nosso tracking de pedidos, as nossas informações disponíveis para o cliente e a experiência de compra em geral, tanto pré quanto pós-venda”, disse.
O que a companhia tem feito para ganhar este destaque? A empresa trabalha com base em cinco pilares de transformação digital: inclusão digital, digitalização das lojas físicas, multicanalidade, transformar o site em uma plataforma digital e cultura digital. Com base nesses pilares, a empresa age. NOVAREJO listou as estratégias da companhia para de fato se transformar em um negócio digital.

  1. Luiza Labs (II)

laboratório de inovação do Magazine Luiza tem encabeçado muitas estratégias bem-sucedidas da companhia.  Os aplicativos da companhia saíram de lá, por exemplo. O sucesso do laboratório não é o espaço em si, mas a forma como ele se coloca na estrutura da companhia. O espaço, onde hoje trabalham 400 pessoas, é praticamente uma empresa dentro da empresa.
Nada ali passa pelas habituais burocracias e cada projeto é tocado por um grupo de desenvolvedores, que trocam ideias e informações o tempo todo em um espaço aberto. Ali, as ideias são concebidas, prototipadas e testadas de forma rápida e sem amarras.
Recentemente, o laboratório incorporou a área de TI Corporativa da empresa, responsável pelos sistemas de backoffice. O Luizalabs também capitaneou a incorporação da startup Integra Commerce, que imprimiu celeridade à expansão do Marketplace da companhia.
O laboratório é considerado uma operação apartada do resto da companhia e segue uma dinâmica própria, como se fosse uma startup. Assim, ele ajuda a empresa a caminhar de forma mais acelerada.

  1.  Aplicativos e novas plataformas

Ser digital é investir em  ferramentas digitais. E a companhia não para de criar plataformas e aplicativos para acompanhar o comportamento digital dos consumidores. Um dos primeiros projetos foi o  Magazine Você, uma espécie de loja virtual onde qualquer cliente pode criar a sua própria vitrine de produtos para vendê-los. Deu certo. Atualmente, são mais de 300 mil usuários.
Há ainda a lista de casamentos e o aplicativo da companhia, que já tem mais de 6 milhões de downloads. “Nós tivemos no nosso aplicativo uma grande participação nesse crescimento. Mais de 50% do nosso tráfego já é mobile, tanto web quanto a versão mobile do site. Uma boa parte do nosso faturamento já vem dos aplicativos e dos dispositivos móveis”, disse Frederico Trajano, em conferência com analistas.

  1. Digitalização das lojas

Os aplicativos desenvolvidos não são apenas para melhorar a experiência do cliente, mas para também tornar a operação mais ágil e eficiente. A empresa investiu no Aplicativo Mobile Vendas e Estoquista, que estão em operação em todas as lojas. No primeiro caso, os vendedores têm em mãos todo o estoque da companhia para agilizar o atendimento ao cliente. No segundo caso, o aplicativo auxilia os estoquistas para encontrarem os produtos. Há ainda o Mobile Pinpad, que vai permitir ao vendedor concluir a venda do cliente via tablet. A previsão é de que até o final do ano todas as lojas já tenham o sistema.
Além dessas ferramentas, a companhia agora está finalizando a implementação do aplicativo Mobile Entrega para mais de 1.000 micro transportadores da rede de distribuição da marca em todo o Brasil. Com ele, a companhia melhora o tracking de pedidos para os clientes.
“A gente continua a implementação de tecnologias, os esforços de digitalização da loja, que é um pilar da nossa estratégia. A gente já concluiu o mobile vendas em todas as lojas, a gente está concluindo praticamente a implementação do mobile estoquista para a equipe de estoque, que faz todo esse trabalho de redes e de mercadoria do back-off da loja, montagem de estoque, faz também todo o trabalho para implementação do Retira Loja”, disse Trajano.
“Também estamos implementando vários serviços de inclusão digital para ajudar o consumidor que está comprando a usar melhor tecnologia”, explicou. No processo de transformação digital, a loja física é importante para a marca.

 

 

  1. Foco na multicanalidade

Todos os investimentos que a empresa têm feito no sentido de digitalizar a marca envolve um ponto crítico: a multicanalidade. “O que contribui para o ritmo acelerado da nossa transformação digital é o fator multicanalidade. Diferentemente dos outros varejistas, desde o início da nossa operação on-line, no ano 2000, operamos nossos canais de forma integrada, com a utilização de uma mesma infraestrutura”, explicou Trajano.
Ou seja, os nove Centros de Distribuição, o backoffice, e as mais de 1.000 transportadoras terceirizadas que distribuem os produtos da Companhia pelo País sustentam as operações on-line e física. Para o consumidor, toda a mudança na infraestrutura se dá com o Retira Loja, sistema que permite que clientes que compram por meio das plataformas digitais economizem e ganhem agilidade ao retirar os produtos adquiridos em qualquer uma das lojas físicas.
“O e-commerce também foi muito beneficiado pelo Retira Loja. Está disponível em 100% das nossas lojas hoje, com a quantidade de produtos elegíveis bastante grande. A gente melhorou bastante a distribuição desses produtos nos CDs, garantindo que mais e mais clientes possam se beneficiar disso. Em várias lojas, nós estamos com o prazo de compra no site e Retira Loja com apenas um dia e aumentando esse prazo para outras unidades. Mas na grande maioria, a gente está focando em um prazo de 48 horas para comprar no site e retirar na loja”, disse.

  1. Serviços

Outros investimentos da companhia é o Lu Conecta, serviço de configuração de smartphone, instalação de aplicativos e antivírus, além do serviço de atendimento por telefone 24 horas. Além disso, a empresa aposta agora na “Navegação gratuita”, que permite ao consumidor navegar no site e no aplicativo da companhia sem  precisar de conexão necessariamente.
A empresa ainda fez parceria com a 99 Táxi, que dá um bônus de R$ 20, um cupom que o consumidor pode usar para retirar o produto na loja. Ele pode pegar uma corrida de táxi de até R$ 10 até a loja e uma corrida de táxi da loja para casa, de maneira que ele também não vai ter nenhum gasto para se deslocar até a loja para retirar.

 

 

  1. Marketplace

Há cerca de um ano, o Magazine Luiza lançou a operação de Marketplace. No final do ano passado, a empresa tinha apenas 50 parceiros que permitiu à companhia expandir a oferta de produtos em mais
de 80.000 SKUs. Hoje, a empresa fechou o segundo trimestre com mais de 250 lojistas de diversas categorias e portes. Com todos esses entrantes, o número de SKUs ofertado nos canais on-line mais
do que dobrou em relação ao primeiro trimestre e chegou a 550 mil.
Com o marketplace, a empresa se torna um negócio digital em todos os níveis. A empresa quer atrair pequenos e médios empreendedores e, para isso, ela lançou uma plataforma on-line gratuita e interativa de treinamento para ajudá-los a fazer crescer seus negócios.

 

*Fontes:

Guilherme Camargo (agroolhar.com.br)

Camila Mendonça (consumidormoderno)

Vinícius Macedo (Octans)

João Cristofolini (e-commerce brasil)


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