Gil Sabino

Jornalista e assessor de imprensa.

Paraíba

JOÃO PESSOA – Entre as carroças e as Cidades Inteligentes


24/09/2021

Estamos em João Pessoa, do Século XXI. Uma notícia esta semana nos chamou muito a atenção. Sobre um protesto de carroceiros contra ação do Ministério Público, proibindo o uso de animais de tração (cavalos) em via pública. Já, há cinco anos, quando voltei a morar em João Pessoa, havia observado esse movimento, atrasado mesmo, do uso de carroças puxadas por cavalos nas ruas, em pleno trânsito.

Cheguei a tirar fotos de tão incrível ação, por duvidar que em pleno século XXI, ainda pudessem circular carroças nas ruas, sem nenhuma proteção, sem regulamentação, sem fiscalização do sistema de transportes da cidade, nada, nada…

Sou como sempre fui, um curioso, e viajei por muitas cidades pequenas e grandes, em desenvolvimento, e metrópoles. Participei de eventos do SmartCity Business, e lá aprendemos coisas de futuro para a melhor qualidade de vida das pessoas.

Assistimos importantes debates sobre gestão de futuro, inovação, reciclagem, sustentabilidade, energias limpas renováveis, tecnologias, a internet das coisas, saúde preventiva e interligada, educação, controle de poluição do ar, clima, preservação do verde, dos rios, dos mares, sanitarismo, engenharia, espaços de convivência, a importância da memória, da cultura, do turismo, a aplicabilidade de novas técnicas, políticas públicas, economia, estratégias e soluções inteligentes, o atendimento às famílias e valorização das pessoas, e muito outros temas para um mundo melhor…

O termo `cidade inteligente´ surgiu na década de 90 para designar novas políticas de planejamento urbano que emergiram com o avanço tecnológico, sendo posteriormente adotado por empresas de base tecnológica, para promover serviços e produtos com foco na gestão da infraestrutura urbana. Cidades como Nova York, Hong Kong, Amsterdan, Barcelona, Singapura e outras, classificadas hoje entre as principais Cidades Inteligentes do mundo, foram as primeiras a recorrer de ações estratégicas e soluções no sentido de posicionarem no futuro preservando suas populações. Preservando dos principais problemas que afligem os seus habitantes.

Cidades inteligentes são aquelas criadas, ou que utilizam a tecnologia, planejamento e inovação para solucionar problemas e demandas da população, otimização de espaço e recursos, gerando crescimento econômico, utilizando seus recursos de forma sustentável e inteligente.

Mas, voltando às carroças, os cavalos usados para puxa-las, são mal tratados, na maioria das vezes, mal alimentados, mal ferrados, não recebem qualquer atendimento veterinário, sendo obrigados a trabalhar além de suas forças, mesmo doentes e famintos. São submetidos à carga excessiva, horários exaustivos de trabalho. Alguns praticamente não têm repouso e, quando fraquejam, são açoitados, inclusive, com instrumentos escolhidos para causar grande dor e sofrimento.

No trânsito, são conduzidos por vias de movimento, horários de pico, sujeitos a acidentes e outros transtornos. Muitas vezes são conduzidos por menores em flagrante desobediência às leis de trânsito e à legislação. E quando não servem mais, são abandonados em beiras de ruas e estradas, acabam sendo atropelados ou morrem miseravelmente de fome e sede. Alguns são entregues a matadouros, quase na sua totalidade clandestinos, para um abate cruel e geralmente são repassados para o comércio como carne de boi.

O sacrifício de equinos, em alguns lugares do Brasil, é um processo cruel, ante-ético e ilegal. É aplicado choque elétrico, com os polos colocados no focinho do animal e outro polo introduzido no ânus ou utiliza-se veneno, espancamento ou morte por anoxia com produtos curariformes (o animal tem uma morte por paralisia dos músculos e não pode respirar ou manifestar qualquer sofrimento morrendo em agonia profunda, sentindo tudo que lhe acontece, pois está consciente).

Como Ajudar: Exija a fiscalização do Detran, já que os carroceiros desrespeitam o Código Nacional de Trânsito, chame um policial ao perceber que o animal não aguenta o peso, se está debilitado ou se está sendo mal tratado, e cite a Lei de nº 9.605/98 de Crimes Ambientais e escreva para jornais locais, blogs, redes sociais, e entre em contato com a Prefeitura.

Em Tempo: Esperamos que o Prefeito, Cícero Lucena, tome rápidas providências, a fim de sairmos da obsolescência para uma cidade contemporânea, inteligente e de futuro. Fica aberto o espaço para resposta, comentários, posicionamento.


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