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GovernoTemer fortalece a esquerda

01/12/2017


Foto: autor desconhecido.

A politica econômica do governo Temer segue à risca as determinações dos mercados. Pouco importa a sua rejeição popular em torno de 80%. O Congresso Nacional já aprovou quase todas as reformas da Constituição e leis necessárias. Se eleição tem a ver com voto e este com povo, em 2018 deve haver o troco.

Os pilares da agenda reformista são as novas legislações sobre o teto de gastos do governo federal, direitos trabalhistas, sistema da previdência, taxa de juros de longo prazo e privatização de grandes empresas e atividades publicas. O objetivo essencial de tudo isso é o ajuste fiscal, sem o que não haveria recuperação econômica sustentável.

Em 2018 essas medidas não terão o êxito decantado pelo governo. Esse ano ainda será de muito desemprego, salários baixos, políticas sociais capengas, deficit público em alta e pressões elevadoras das taxas de juro e inflação. Nas eleições, isso prejudicará os candidatos dos partidos de direita que respondem pelas reformas.

Os partidos de esquerda disputarão as eleições ao lado da opinião pública contra as políticas do governo. Vão prometer corrigir o peso das reformas sobre os trabalhadores, os pobres em geral e segmentos da classe média. Devem ter, em 2018, alternativas eficazes e justas às ações reformistas em curso com fortes efeitos perversos.

A recuperação das finanças públicas é questão de vida ou morte para os detentores de riqueza financeira que operam no país. A mídia oligopolista defende essa solução em nome do grande capital. Há sim algo de sinistro no ar. A dívida pública beira R$5 trilhões (76% do PIB) e o deficit público anual que a alimenta 9% do PIB.

Presume-se que tornado crível o ajuste fiscal a economia brasileira cresceria em ritmo chinês. Assim caminha o país sob o poder dos que tomam as decisões sobre o seu presente e futuro. Essa milagrosa solução atenderia os interesses dos banqueiros, rentistas, trabalhadores e os pobres, todos beneficiados com a prosperidade nacional.

Ocorre que a solução encaminhada baseia-se num modelo econômico concentrador de riqueza e renda. Eis a razão de sua benigna impopularidade. As forças políticas que lhe sustentam são lideres empresariais e dos partidos de direita. Cabem-lhes, portanto, os ônus das inevitáveis ineficácia e rejeição social de curto prazo.

Os líderes trabalhistas, intelectuais e partidos da esquerda nacional enaltecem os seus governos de 2003 a 2014. Bradam com fatos que, nesse período, mesmo limitados pelas alianças com partidos políticos do centro, implantaram um modelo econômico que reduziu a pobreza e promoveu a mobilidade social e desconcentração da renda.

Diante disso, as atuais reformas econômicas contrariam as aspirações por avanços na universalização do bem-estar social. Os modestos resultados dos primeiros anos parecerão negar o conteúdo resolutivo que promete e pode até ter. O que inspira um amplo entendimento social de que, para a direita nacional, é impossível o crescimento econômico do país com distribuição mais equitativa da riqueza e da renda.
 

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