Política

Entre leite condensado e xingamentos à imprensa, quem perdeu foi a ciência


28/01/2021

Foto: Marcos Corrêa - Presidência da República

A semana tem sido bastante movimentada no Palácio da Alvorada, após a divulgação pelo Portal Metrópoles, sobre os gastos milionários do governo Jair Bolsonaro, com itens “básicos” alimentares, como leite condensado, chiclete, pizza, barra de cereal, refrigerante, frutos do mar, entre outros, que juntos contabilizam R$ 1,8 bilhão em gastos essenciais para o bom funcionamento do governo.

Visivelmente incomodado com os questionamentos, o presidente resolveu atacar a imprensa, em um encontro com aliados nesta quarta-feira (27), em Brasília. “Enfia no rabo de vocês da imprensa essas latas de leite condensado”, disse Bolsonaro, que em seguida foi aplaudido e reverenciado por seus apoiadores, ao som de “mito, mito…”.

Esse tipo de conduta, que por vezes choca a sociedade, já virou prática corriqueira de Jair Bolsonaro. A personalidade que antes esbravejava aos quatro cantos do Brasil o fim da mamata com a ascensão do seu governo, hoje revela a face podre e legitimada de uma política de gestão que, em contrapartida, deixa faltar quase tudo em termos de serviços públicos.

O governo que vai na contramão do mundo, busca tirar a atenção para pautas fundamentais e de sua responsabilidade. O Brasil é hoje o país que teve a pior gestão pública durante a pandemia, como aponta um estudo feito pelo Lowy Institute, de Sydney, na Austrália. Registramos, atualmente, mais de 9 milhões de casos e 220 mil mortes por coronavírus.

E como se não bastasse à falta de gestão e iniciativa frente à compra de vacinas, oxigênio e seringas, o governo federal resolveu cortar 68,9% da verba para a importação de equipamentos e insumos destinados à pesquisa científica, afetando ações desenvolvidas por instituições como a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e o Instituto Butantan, que se debruçam em projetos de combate à pandemia, incluindo o desenvolvimento de vacinas brasileiras.

Os danos causados pela falta de empatia do governo Jair Bolsonaro são incalculáveis. O presidente já havia vetado a liberação total dos recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, considerado pelo setor e pela indústria a principal ferramenta de financiamento à ciência, tecnologia e inovação. Com a decisão, mais de R$ 4 bilhões continuarão retidos nos cofres do governo federal. Talvez sejam usados para comprar alimentos essenciais e encontrados com facilidade na mesa do povo brasileiro. Não é só Manaus que sofre um processo de asfixia. É todo o país.

Anne Nunes – Formada em Comunicação Social pela UFPB, possui Especialização em Comunicação e Marketing Político e MBA em Comunicação e Marketing em Mídias Digitais.

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