Política

Engolindo o choro desde 2018


14/02/2021

O Brasil segue tentando combater a covid-19 após quase um ano de pandemia, mas ainda assim, insiste em falhar. Estamos há dias registrando mais de mil vítimas fatais na média diária de mortes pelo coronavírus. O último recorde de mortes foi na última quinta-feira (11), contabilizando 1.452 vidas perdidas, sendo o maior número de óbitos de 2021 – até agora.

Relembro que neste mesmo período do ano passado, estava me preparando para conhecer o Galo da Madrugada, em Recife. Uma festa linda, animada e muito suada. E de um ano para o outro, tudo mudou. Enquanto escrevo este artigo, enfrento também os últimos dias de contaminação pelo coronavírus. Mesmo com todos os cuidados possíveis e impossíveis, fui infectada. Começo a acreditar que nenhum de nós poderá passar ileso por esse pandemônio.

Sim, historicamente e naturalmente estaríamos todos com o pé na folia do carnaval. Mas nesses tempos atípicos, vamos precisar pausar. E assim, renovar a nossa esperança por uma aglomeração saudável e livre de covid. Será justamente isso que nos motivará nos próximos dias e meses, enquanto o espetáculo mais plural do país vai ficando para o ano que vem. Mas a verdade é que qualquer festividade neste momento parece irrelevante quando enxergamos e compreendemos o desatino que o país vive.

A gastura no estômago segue somando força. Enquanto governos estaduais e municipais fazem a sua parte no combate ao coronavírus, o governo federal desdenha diariamente do número de mortes, dos novos infectados e até da veracidade da vacina, e consequentemente da ciência. E enquanto a covid mata e destrói famílias inteiras, o presidente Jair Bolsonaro insiste em vender cloroquina, remédio sem eficácia comprovada na luta contra o vírus mortal.

E no que se refere ao tema, foram mais de quatro milhões investidos para a produção de comprimidos de cloroquina. Esse mesmo recurso deveria ter sido destinado às ações de prevenção a covid, exatamente nesse momento em que a batalha parece ser crucial. O problema é sim muito maior do que parece ser. Não se trata apenas do que Bolsonaro deixou de fazer. Mas o que ele efetivamente fez, faz e fala. Ainda não há vacina para todos, mas a cloroquina certamente está garantida. E mais uma vez, o Brasil caminha na contramão do mundo.

Diante desse circo de horrores que virou o país, temos mais de 236 mil vidas ceifadas e famílias inteiras enlutadas. Penso que se tivéssemos um presidente da República com sensibilidade, empatia e seriedade, muitas dessas histórias teriam continuidade. Afinal, a omissão de Bolsonaro significa compactuar com a propagação do coronavírus. E assim, ele segue minimizando a violência dessa doença e reforçando a todos – correligionários ou não – que “não adianta ficar em casa chorando”. E novamente, tenho a plena convicção de que não temos apenas um vírus assassino à solta. Certamente, estamos engolindo o choro desde 2018.

Anne Nunes – Formada em Comunicação Social pela UFPB, possui Especialização em Comunicação e Marketing Político e MBA em Comunicação e Marketing em Mídias Digitais.

 

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