Política

É tempo de urgência e ressignificação


25/02/2021

Imagem ilustrativa

De acordo com o calendário cristão, estamos no tempo da Quaresma. Nesses quarenta dias que antecedem a Páscoa, somos convidados a um momento de reflexão, decisões e mudanças significativas para a nossa vida pessoal e coletiva. Sempre atual e necessário, o Papa Francisco nos chama para renovar a nossa fé, esperança e caridade, mas, sobretudo, nos impele a cuidar de todos aqueles que sofrem por conta da covid-19.

E essa certamente vem sendo uma das grandes preocupações de muitos governos e prefeituras em todo o território brasileiro, com o avanço da doença e suas novas variantes ainda mais contagiosas e letais. Infelizmente, o governo federal continua propagando teorias negacionistas e anticientíficas, como o uso da hidroxicloroquina e ivermectina enquanto medicamentos preventivos ao coronavírus. E novamente, a sociedade brasileira sofre com uma gestão sem qualquer planejamento para a pandemia e suas graves consequências sanitárias, sociais e econômicas.

Mas, no outro lado da trincheira, existem gestores estaduais e municipais que não brincam de trabalhar e buscam, efetivamente, barrar o avanço da covid em seus territórios. Para a nossa sorte, o Supremo Tribunal Federal autorizou na última terça-feira (23), que estados e municípios adquiram doses de vacinas contra o coronavírus por fora do Programa Nacional de Imunização, coordenado pelo Ministério da Saúde. A decisão atesta, claramente, a omissão e ineficiência do governo de Jair Bolsonaro. Seguramente, esse não seria o ideal, mas é o necessário e mais urgente.

Diante do grande risco para a saúde da coletividade, a tolerância precisa ser zero. E neste sentido, o governador da Paraíba, João Azevedo, e o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, traçaram medidas conjuntas e mais rígidas para o momento em que o estado ultrapassa 217 mil casos confirmados de contaminação pelo coronavírus, sendo 4.433 mortes confirmadas desde o início da pandemia que completa um ano. Apenas nesta quinta-feira (25), foram 1.594 novos casos e 14 óbitos. Todas as medidas restritivas adotadas pelos órgãos públicos visam, principalmente, evitar um colapso nos serviços de saúde devido ao aumento dos casos de covid-19 e a consequente ocupação dos leitos de UTI. Mas nada disso será possível se a população não fizer a sua parte.

Já passamos da hora de aprender que aglomerar e menosprezar o pedido dos governantes e das autoridades médicas só implica em mais vidas ceifadas e famílias inteiras destroçadas. Esse com certeza não é o momento para retirar a responsabilidade das nossas costas, mas sim, cooperar para que brevemente possamos adentrar, mais uma vez, em um estado de estabilização e proteção da vida. Que em meio ao caos que tenta se instalar, possamos refletir sobre o cuidado e a empatia com nós mesmos e com o nosso próximo. Essa luta é nossa e é urgente. É tempo de ressignificação.

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