Gil Sabino

Jornalista e assessor de imprensa.

Economia & Negócios

Como funciona o negócio do Patrocínio do Carnaval


21/02/2021

Grandes eventos representam movimentação da economia em bilhões. Na foto, Escolas de Samba do Rio de Janeiro, Folia de Rua em João Pessoa (dir.sup), e Galo da Madrugada, em Recife.

O Carnaval de João Pessoa, bem como outros eventos, precisa urgentemente criar um formato profissional que atenda suas demandas e necessidades. Funciona assim em qualquer cidade do planeta. Não há festas sem custo financeiro, sem planejamento, sem programação, sem investimento, sem contabilidade econômica.

No Rio de Janeiro e São Paulo, em Salvador, na Bahia, em Recife e Fortaleza, o Carnaval já faz parte do calendário oficial e é trabalhado o ano inteiro. Os Governos e Prefeituras, através de suas secretarias de Turismo, alinhados ao Ministério do Turismo, e com a participação do patrocínio de empresas privadas, investem bilhões de reais, com retorno garantido através da coleta de impostos, além da projeção de imagem no mercado mundial.  A movimentação econômica gera empregos diretos e indiretos. O dinheiro volta aos cofres públicos a partir da movimentação da indústria, do comércio, rede hoteleira, bares e restaurantes, transporte, produtos e serviços. É um negócio autossustentável.

Mas, como funciona o patrocínio do principal produto desses eventos que são os desfiles e shows artísticos das escolas de samba, blocos, trios elétricos, e outras atrações? Como sobrevivem as instituições ligadas diretamente ao Carnaval? Sim, uma boa pergunta para se dar início, por aqui, ao que precisa organizar tanto na Associação Folia de Rua, agora sob a gestão de Sérgio Nóbrega; como na Liga Carnavalesca de João Pessoa, que recentemente empossou o presidente eleito, o folclorista Pedro Cândido dos Santos.

Foi nesse sentido que a Fundação Casa de José Américo, presidida pelo jornalista Fernando Moura, promoveu nos dias 15 e 16, o Folia de Casa, um excelente debate virtual através do YouTube, com a participação do jornalista Walter Santos, a multiculturalista Ana Gondim, e Pedro Cândido dos Santos, sob a mediação do jornalista e professor Carmélio Reinaldo, além de prestar homenagem ao carnavalesco Wills Leal (falecido no ano passado), com presença da sua irmã, a Professora Ana Leal. Todos deixaram notável contribuição ao levantar as questões pertinentes ao cenário atual do nosso Pré Carnaval Folia de Rua (com apresentações de Blocos e Trios Elétricos), e o Carnaval Tradição (com apresentação de Escolas de Samba, Ala Ursas e Tribos Indígenas).

Pois bem, apesar de sermos vizinhos de Recife, onde funciona o maior bloco de arrasto do mundo segundo o Guiness Book (o livro dos recordes), o Galo da Madrugada, com sua expertise de proteção da marca e fontes de renda e patrocínio,  não aprendemos ainda o caminho das pedras para novas conquistas e chegar ao topo.  Vivemos ainda na era do “Ei, você aí, me dá um dinheiro aí…”, mendigando migalhas geralmente às vésperas do período de momo.

O nosso Carnaval, como qualquer outra instituição, precisa estabelecer um Departamento de Captação de Recursos. E para se captar recursos é preciso ter projetos de marketing para apresentar e atrair parceiros, é preciso criar produtos, atividades que gerem renda sustentável. As empresas só serão atraídas a participar e investir, colocar dinheiro, onde avaliarem e houver a visão de projeção, de fortalecimento de suas marcas e produtos. De projetos que proponham negociações de marketing com benefícios para as partes envolvidas. É assim que funciona.

Em breve relato sobre as Fontes de Renda, podemos citar a realização dos ensaios abertos das escolas de samba do Rio de Janeiro e São Paulo, durante o ano inteiro, com venda de ingressos, camarotes, venda de direitos dos foliões a participar do desfile na avenida, etc. Há também a realização de Feijoadas, aluguel dos espaços para eventos com a participação das baterias de samba e dançarinos, a participação de artistas e personalidades famosas do high society, doações voluntárias de fãs clubes, e até projetos de sócio torcedor que contribuem mensalmente. Por trás disso tudo há a comunidade trabalhando, profissionais e voluntários que se misturam entre costureiras e bordadeiras, maquiadores, designers, coreógrafos, músicos, puxadores de samba, diretores de alas, e mais um bom número de gente envolvida, que vive e sobrevive o ano inteiro dentro desse fantástico negócio da economia criativa sustentável.

Se temos já um Pré Carnaval Folia de Rua, que arrasta mais de 1 milhão de pessoas, e temos ainda os mais de 50 blocos espalhados pelos bairros, e o Carnaval Tradição, ou seja, temos público, shows, atrações, demandas. O que precisamos é justamente embalar nosso produto e transformar esses eventos em pacotes de negociação e marketing. Hora de acordar Paraíba!


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