Cultura

Centro Histórico de João Pessoa sofre descaso sem proporção

15/09/2020


Centro Histórico de João Pessoa em ruínas, e abaixo, Porto do Capim, onde nasceu a cidade...

O Centro Histórico de João Pessoa, a terceira Capital mais antiga do Brasil, fundada em 5 de agosto de 1585, sofre escandaloso e indizível descaso por abandono, sem proporção, segundo se pode constatar através das fotos da reportagem. É lamentável que o patrimônio histórico tenha sofrido tamanho desprezo durante a atual gestão, que dura já oito anos, e que recebeu, inclusive, apoio no valor de $100.000, (cem mil dólares) do BID – Banco Internacional do Desenvolvimento, para serem aplicados em ações e transformar a Capital em Cidade Inteligente e Sustentável.

Segundo especialistas, a cidade vem sofrendo depreciação no trato de seu casario histórico, na perda e destruição de seu patrimônio, e também com a perda de registros da memória da sua história. Nenhuma sociedade que se preza deixa acontecer tal desmonte. As ruas retratam como ruínas de um pós-guerra, onde bombas foram atiradas, derrubando prédios e casas, deixando apenas escombros.

Ruas centrais como da República, a Visconde Pelotas, Duque de Caxias, avenidas Trincheiras, João Machado, Tabajaras, Deputado Odon Bezerra, e espaços como o Mercado Central, Praça do Bispo, a Casa da Pólvora, entre outros, encontram-se em lamentável estado de abandono, onde se podem encontrar destroços, amontoados de lixo e perigo.

Impossível, se consolidar uma ação positiva de turismo sem investimento nestas áreas. João Pessoa perde em economia por não tratar este patrimônio, quando bem poderia, a exemplo de Recife, Salvador, Lisboa, ofertar propostas de resgate de suas construções com aproveitamento, inclusive, pertinente à implantação tecnológica de centros de pesquisa e produção de estudos avançados. Perde ainda quando deixa de ofertar ao turismo religioso, ao turismo de negócios, e outros, a possibilidade de eventos que tragam emprego e renda, e valorizem a vida da cidade.
Abandonar o Centro Histórico é como esquecer no corpo humano um importante órgão, um pulmão que deixa de funcionar, um rim, um coração, seu centro nervoso, etc. Abandonar a cidade é desprezar sua história, deixar de lado a educação, a arte, a cultura, e sem isso se torna difícil prosseguir dando autoestima às novas gerações. Criar oportunidades de desenvolvimento a partir de sua história e riquezas.

É de fazer chorar quem arrisca um passeio pelo centro da cidade. O lixo, a destruição, a falta de compreensão, por parte dos gestores, em não entender que cuidados mínimos, restauro e uma manutenção, podem atrair investimentos internacionais, que se pode gerar arrecadação, renda, milhares de empregos, com a visitação turística, dar novo movimento, nova vida, novo impacto à Capital.

Precisamos agendar programações para o Hotel Globo, reativar o centro gastronômico do varadouro, incentivar, abrir portas para instalação de ateliers artísticos, artesanato, novos locais de eventos culturais, entregar a finalização da obra do Conventinho São Pedro Gonçalves, dar continuidade aos projetos culturais da Casa da Pólvora, e muito outras ações inteligentes.

É preciso respeitar a comunidade ribeirinha do Porto do Capim, da Vila Nassau, no baixo Sanhauá, onde foram derrubadas casas, sem se apresentar uma proposta de destinação, uma razão, um projeto, e onde existem famílias desamparadas. É preciso parar com a violação do espaço onde nasceu a cidade, onde vivem famílias, e criar projetos de sustentabilidade daquela área. Quem, em sã consciência, já imaginou destruir justamente o local onde foi fundada a cidade? Isso é exercício perverso de abuso de poder e burrice.

A nossa é uma sugestão ao próximo prefeito (a) eleito (a), para que se crie uma como que, Prefeitura do Centro Histórico de João Pessoa, que tenha vida própria, para cuidar especificamente de atrair investimentos e fazer desenvolver aquela área hoje tão esquecida. É preciso fazer ressurgir o Centro Histórico de João Pessoa como forma integrada de valorizar um dos maiores patrimônios históricos do país.

*fotos: Gil Sabino

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