Economia

Celso Furtado: apóstolo do desenvolvimento brasileiro

24/07/2020


Economista paraibano Celso Furtado

Há excelentes obras sobre a formação cultural, social, política e econômica do Brasil: da sua origem colonial rural-agrícola a um país cada vez mais urbano-industrial. Destacam-se nessa compreensão do povo brasileiro: Roberto Simonsen, Gilberto Freyre, Sérgio Buarque, Caio Prado Júnior, Florestan Fernandes, Darcy Ribeiro e Celso Furtado.

Um dos feitos geniais de Furtado foi estudar o Brasil criando conhecimentos aplicáveis à solução do sofrimento e miséria de grande massa da população, em condições indignas de vida. Isso foi feito com uma fecunda base acadêmico-científica, consolidada em estudos críticos de grandes pensadores das ciências sociais, econômicas e filosofia.

Celso Furtado sabia fazer sonhos serem fatos. Suas visões eram certeiras, nos porque, como e o que alcançar. Em 1938, idealizou um livro inovador sobre os fundamentos socioeconômicos e políticos históricos da nossa civilização. Em 1959 publicou a sua monumental Formação Econômica do Brasil. Produziu mais de 30 importantes livros sobre o Brasil, a América Latina e o mundo.

Essa inovação nos estudos da história, pela sua base de Economia Política, trouxe uma extraordinária explicação à formação econômica do país e sedimentou a consciência de Furtado sobre o que fazer para o desenvolvimento nacional. Muito dessa obra veio do seu doutorado, Universidade Paris-Sorbonne (1946-48), e da experiência como diretor da CEPAL (1951-57). Sua redação foi feita no King’s College (Cambridge), 1957-58.

O saber furtadiano é contra as ideias científico-filosóficas da sociedade que a concebem sendo regida por dispositivos automáticos autogerados espontaneamente. Incluem-se aí as que fazem a apologia do capitalismo e as que defendem sua negação histórica. Foi preciso criar novos saberes para entender e superar o subdesenvolvimento.

Furtado foi um nacional-desenvolvimentista, baseado num conhecimento consistente com a realidade socioeconômica, política, regional do país. A sua razão foi clara: Em síntese, se mudanças estruturais são condição necessária à promoção do desenvolvimento, este dificilmente brotará espontaneamente da interação das forças de mercado. Suas teorias e técnicas embasaram o papel do Estado no planejamento, ação e fomento à execução dessas transformações estruturais.

Em 1959, nasceu uma nova política regional no país, com a criação da SUDENE: proposta de Furtado acatada pelo estadista presidente Juscelino Kubitschek. Com essa via de solução, evitou-se o agravamento das disparidades socioeconômicas nordestinas, em relação ao Centro-Sul, que era tão visível nos anos 1950 e primeiros anos 1960.

O homem público Furtado fez muito pelo país: Diretor do BNDE, Superintendente da SUDENE; Ministro do Planejamento, Ministro da Cultura e Embaixador junto à CEE. Foi consultor influente dos Presidentes Kubitschek, Goulart e Sarney, e contribuiu muito para os planos, políticas e decisões econômicas dos seus governos.

Como membro do Diretório Nacional do PMDB, Furtado foi conselheiro de Ulysses Guimarães, Pres. da Assembléia Nacional Constituinte. Essa atuação de fiel escudeiro de Ulysses foi essencial para vencer as artimanhas do Pres. Sarney com o Centrão, contra o teor progressista da Constituição Federal de 1988.

O legado teórico e prático de Furtado orgulha os paraibanos e brasileiros em geral. Afinal, trata-se do maior economista do Brasil e um dos mais importantes do mundo, no Século XX. Todas as honras e glórias ao Grande Mestre, neste seu primeiro centenário. O seu saber irá a longínquos séculos, entre as obras clássicas nacionais mais relevantes.

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