Paraíba

Café Filho em Serraria, João Pessoa em Bananeiras

03/07/2020


Café Filho, o 18.º Presidente do Brasil

Estava em plena efervescência a campanha da Aliança Liberal. Getúlio Vargas para presidente e João Pessoa como vice. Era fevereiro de 1930. Os comícios eram regionais. Marcado um para Serraria, a 23 daquele mês, delegações de municípios vizinhos deslocaram-se para ouvir os caravaneiros da Aliança, entre os quais, Café Filho, jornalista potiguar que, escorraçado de Natal pelo governo de Juvenal Lamartine, fez pousada na Parahyba. Vinte anos depois, no retorno de Getúlio em 1950, seria indicado por Ademar de Barros para vice presidente da República.

No mesmo grupo de oradores estavam Aderbal Piragibe, Rui Carneiro, Luis de Oliveira, Odon Bezerra e outros menos votados. Tancredo de Carvalho deslocou-se de Moreno/Solânea levando uma Ala Feminina para animar a festa que ocorreu em frente à Igreja Matriz e, depois, contaria toda a história em “Memorias de um Brejeiro”. A campanha era nacional, mas em cada cidade, os temas eram locais. Em Serraria, a oposição não era o presidente Washington Luiz mas o senador Duarte Lima. O inflamado orador Luis de Oliveira proclamou então: “Ontem o povo estava com o dr. Duarte Lima. Hoje o povo está contra o dr. Duarte Lima”. Dito isso, tiros pipocaram de um sobrado em frente ao palanque. A correria e o susto, porém, não acabaram o com& iacute;c io.

Cinco dias depois, voltando de Princesa onde foi hospede do coronel José Pereira, o presidente João Pessoa circula pelo brejo e chega com a noite em Moreno, progressista distrito de Bananeiras.

O Grêmio Morenense foi o palco da recepção ao presidente, recebido à altura de Fazenda Velha, local onde no futuro o deputado Orlando Cavalcante faria morada e hospedaria os próceres do antigo Partido Social Democrático, de Rui Carneiro e Humberto Lucena. Conduzido ao salão do Grêmio, o presidente atravessou um corredor formado por jovens da sociedade local que cobriram o visitante de pétalas de rosas. Saudado por Tancredo de Carvalho e líderes do operariado, João Pessoa agradeceu e afiançou aos presentes que  “depoi s da vit ória, os nossos adversários, esses que só tem de humano a forma, hão de procurar os campos, os matos, onde não chegue um só sopro divino”. A próxima parada foi em Bananeiras.

Descendo a serra  em um cortejo de automóveis, João Pessoa foi saudado à entrada da cidade por uma queima de fogos em sua homenagem. O discurso principal, em frente ao sobrado do coronel José Antônio da Rocha foi do então estudante Severino Guimarães, mais tarde professor da faculdade de direito e desembargador do nosso Tribunal. Em agradecimento pela recepção o presidente aproveitou o ensejo e justificou as razões do seu veto à candidatura de Júlio Prestes e consequente rompimento com o presidente Washington Luiz.

Na própria residência do coronel José Antônio da Rocha,  genro e sobrinho do coronel Felinto Rocha e que mais tarde seria deputado à Constituinte de 1935, foi servido um jantar à comitiva presidencial e aos representantes de outros municípios. No jantar, João Pessoa foi saudado pelo juiz de Direito da comarca, José Eugenio de Neves  Melo.

Ao narrar esses acontecimentos, Tancredo de Carvalho identifica os representantes de Moreno no jantar em honra ao Presidente, entre os quais estava, para surpresa minha, o então capitão Irineu Rangel de Farias. Sendo de Taperoá, que fazia Irineu Rangel em Moreno?  Seria o delegado do distrito? Pouco depois, o capitão seria nomeado por João Pessoa para comandar o Batalhão Provisório da PM, criado para enfrentar a rebelião de Princesa levantada pelo coronel e deputado José Pereira.

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