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Brasil: Freios à recuperação econômica

21/09/2017


Foto: autor desconhecido.

A economia brasileira, que é capitalista e complexa, entrou em fase cíclica ascendente. Foram oito trimestres consecutivos de queda acelerada da produção, exaustão de estoques de mercadorias e postergação de investimentos, inclusive de reposição. Eis que chegou a hora da virada, à luz da lógica empresarial do lucro, poder de competição e posição de mercado.

Em 2017, o PIB do Brasil, após cair 7,3%, no biênio anterior, dá sinais de recuperação. Cresceu 1% no primeiro trimestre, 0,2% no segundo e 0,41%, no mês de julho, conforme indicador do Banco Central. É possível que, em dezembro, tenha um crescimento anual de 1%.

Essa reversão cíclica da quase depressão de 2015-16 seria compatível com um crescimento do PIB brasileiro de 3% em 2017 e 4,5% em 2018. É fato que se gerou uma enorme capacidade de produção ociosa. Há 13 milhões de desempregados que apequenam a barganha salarial. A recessão reduziu a inflação anual a 2,6%.

A política fiscal-monetária devia assegurar o alto crescimento factível do PIB para 2017-18. Isso viabilizaria a queda do deficit primário e da taxa de juro, reduzindo o deficit público nominal de 9,3% para 4% do PIB. Assim, a relação dívida pública bruta/PIB tenderia a cair. Esses resultados são necessários ao crescimento econômico sustentável com a inflação na meta.

As políticas governamentais reduzem os limites da expansão econômica pronta para acontecer. A política fiscal, que se diz ortodoxa, aumentou o deficit primário anual de 1,57%, em 2015, para 2,66% do PIB, julho/2017, e a divida pública/PIB de 66,0% para 73,8%. Essa contradição é síntese de causa e efeito da taxa básica de juro tão alta para uma inflação tão baixa.

Criou-se um círculo vicioso: dívida e deficit públicos crescentes justificam juros altos que freiam a economia, que recriam a situação fiscal-monetária e econômica adversa. O problema essencial está na política de juros do Banco Central, que contínua com foco na inflação, quando devia, desde janeiro/2017, cuidar do crescimento do PIB e do emprego.

A queda da taxa básica nominal anual de juro camufla o aumento do seu nível real. De novembro/2015 a agosto/2017, essa taxa nominal caiu de 14,25% para 9,25%, enquanto a inflação/IPCA caiu de10,3% para 2,7%. Ponderada a inflação, a taxa básica real de juro cresceu de 4,0% para 6,5%; nos meses janeiro-junho/2017 chegou a 7,5%, de longe a maior do mundo.

Mesmo assim, a economia brasileira teve dois trimestres de crescimento, demonstrando a força do dinamismo expansivo em curso. Mas, com essa política de juros absurda, o país perderá neste ano 2% de incremento do PIB. Isso equivale a R$140 bilhões de bens e serviços a menos para a sociedade, com perda de R$ 42 bilhões de receitas para o setor público.

As atuais políticas fiscal e monetária buscam fazer em 3 ou 4 anos o crescimento de 7% a 8% do PIB, que poderia ser no biênio 2017-18. É lamentável, se isso for obra de inspiração ideológica nefasta. Nessa visão, o maior crescimento da economia e do emprego criaria um cenário sociopolítico desfavorável à reforma da previdência e às mega privatizações.
 

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