Entretenimento

A Televisão: Minhas Lembranças


30/09/2020

E assim se passaram70 anos!, que  a televisão chegou ao Brasil. Não a imaginava nessa idade. Quando era uma pre-adolescente toda noite ia para a casa da vizinha  na Rua Borja Peregrino, eu morava na Av. Camilo de Holanda, assistir o Repórter Esso, acompanhando minha mãe. Já gostava de ouvir notícias. Hoje sou viciada. E só aos 12 anos, a TV chegou na minha casa. Preto e Branco. Com chuvinha. Mesmo assim, uma fábrica de fazer sonhos. E doidos, como diziam.

Participei das mudanças tantas, e me vejo ali, registrada nos documentos da TV. Antes? Ouvia rádio na sala, com as pernas pra cima, pra agonia da minha mãe, que , de outra geração, não suportava o ócio. Nem as pernas pra cima.

Lendo a coluna do jornalista Silvio Osias, no Jornal da Paraíba desta semana sobre esse aniversário, cita as suas predileções televisivas, e também a lista do jornalista Renato Felix, fiquei tentada a fazer o meu passeio também, mas sem saber rememorar tantas décadas e as minhas predileções. Também assistia Lassie Silvio, E Tarzan, e Jeannie é um Genio, e Thunderbirds. Jovem tardes .Também Lembro dos “reclames” Varig Varig Varig, e da asas da Panair. O fino da Bossa, eu cantava todinho o LP, de cor, e com os braços balançando. Upa Neguinho! Roberto Carlos e a Jovem Guarda e Que tudo mais vá pro inferno! E os Festivais de MPB. Ficava com frio na barriga, torcia, e chorei com A Banda; Disparada, Geraldo Vandré, Sabiá, Alegria Alegria e Domingo no Parque. Tudo tudinho. As chanchadas não via. Perdi Oscarito. Sim! Fatos e fotos : A chegada do homem à lua ; a morte dos Kennedys; John Lennon; Elis; Cassia; Fellini, Mastroianni. Chorei todos esses mortos.

A morte de Tancredo; as Diretas Já; campanha e posse de Lula; Dilma desfilando com a filha em carro aberto, eventos que madruguei nos noticiários. Obama? Como esquecer aquela posse, aquela primeira dama de vermelho? E aquele abraço com o marido!  A posse de Trump? Tive enjoo de incredulidade. Ainda tenho. O do nosso des-governo nem ouso dizer o nome, nem o que senti e ainda sinto. As Torres Gêmeas? Estava num consultório médico, e em estado de choque vi aquele gigante cair desfalecido com milhares de mortos. Tive muita claustrofobia assistindo o Tsunami pelas praias longínquas, e os mineiros subindo à superfície em foguetes apertados.  Hoje, assisto temerosa e triste, uma pandemia planetária passar os que se foram na minha cara todos os dias. O ano que não existiu!

A Copa de 70? Inesquecível. E depois o Tetra. E a Copa na França, que assistia a todos os jogos e gostava das matérias de Olivier Anquier sobre o país dos queijos e vinhos. E da Marseillaise.  Viajar é comigo!

Ciranda Cirandinha , me encantei por Marco Nanini até hoje. Passando pela Grande Família. Chacrinha? É Terezinha! Sou fã de programa de auditório, e vejo até hoje os The Voice e similares.

Novelas, desde Redenção! Assisti quase todas as novelas globais. Destaco Roque Santeiro,Que Rei sou Eu, Vale tudo, Gabriela, Avenida Brasil, e mais um montão de outras que acompanhava todo dia. Apaixonei-me por muitos galãs: Francisco Cuoco, Altair Lima, Antonio Fagundes (encontrei-o num bar uma vez no Rio de Janeiro, e trocamos olhares – não dormi! Eram tempos de Vale Tudo!); hoje acho alguns bonitões que  me roubam alguns suspiros. Rodrigo Santoro, e outros nem tão galãs assim. Das séries, ficaram Anos Dourados, A Muralha; Queridos Amigos, e Malu Mulher – que me fez cantar e viver – Começar de Novo igual à personagem de Regina Duarte.E A TV Mulher! Marília Gabriela e todas as pautas! Na TV Cultura – assisti muitos Roda Viva e Cafés Filosóficos. Globo News muitas notícias e no GNT  sou freguesa de Saia Justa desde o seu primeiro formato e de Papo de Segunda.

Mas uma lembrança persistiu na minha cabeça. A novela A Deusa Vencida (Ivani Ribeiro 1965 TV Excelsior). Com Karin Rodrigues (Também a Senhora Paulo Autran), que fazia papel de louca e saía pela floresta. Era 1966 e nós veraneávamos na Praia do Osso (entre Areia Dourada e Formosa). Não tínhamos TV ainda, e saíamos , minha mãe e nós quatro irmãs, por entre os coqueiros e sob a luz do luar das noites vazias e silenciosas, para ir assistir o capítulo na casa de uma amiga lá longe. Nas noites sem lua, era tudo breu e confesso que, morria de medo de encontrar os fantasmas das alegorias da cabeça da infância. Ufa, para quando chegávamos em casa sãs e salvas.

Antigamente, tinha receio de ficar que nem Peter Sellers no seu premiado filme – Muito Além do Jardim (1979). Depois vi que tenho outros interesses. E a TV é apenas mais um. Parabéns para essa velha Senhora!

Ana Adelaide Peixoto

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