Gil Sabino

Jornalista e assessor de imprensa.

Paraíba

A morte, essa intrigante concessionária, leva da vida o intelectual Walter Galvão


07/07/2021

Jornalista Walter Galvão.

Conhecemos Walter Galvão nos anos 70, quando ainda jovem, foi crooner de um conjunto musical de bailes chamado Santanás, em João Pessoa, PB. Tinha uma excelente voz que bem o poderia ter facilitado oportunidades nos caminhos da música, do show business, porém, preferindo entranhar-se de forma profunda nos labirintos da literatura, registrando também excelente passagem pelos principais jornais do Estado, onde exerceu várias funções e coordenou editorias, e construiu um legado que hoje nos serve de farto material cultural e intelectual.

Sim, falar sobre Galvão é sinônimo de falar sobre intelectualidade. Foi ele, sem dúvida alguma, um dos nossos maiores mestres no campo da literatura e do pensamento, sempre observador atento e com seus rebuscados textos colaborando e enriquecendo o conhecimento ofertado a todos tanto através de jornais como livros, ensaios, etc.
Também no campo governamental, serviu a diversos governos e, em uma das nossas últimas conversas, nos falou sobre o vasto tempo de mais de trinta anos no serviço público.

O forte mesmo, de Galvão, era o seu olhar crítico, a perspicácia, a capacidade de aprofundar assuntos com domínio da razão, do conhecimento, da riqueza de informação, de expor, expandir sobre diversas áreas e deixar sua colaboração.

Um sujeito simples no trato, na maneira de vestir, caminhar, conviver com os amigos, administrar, estava atualmente na presidência da Funesc onde pretendeu deixar sua marca atuante, não fosse o contratempo da pandemia e da doença que o acertou.

Walter Galvão deixa também alguns livros que certamente à muitos provocará o pensamento, a pesquisa, a informação apurada e todos os seus encantos e legado de história e tudo o mais.

A morte, essa intrigante companheira da vida, que a qualquer hora pode se apresentar, agendou para esta madrugada a concessão para Galvão ir transitar nos campos celestiais com muito mais leveza, agora longe do sofrimento das dores e angústias que fazem parte natural da viagem terrena de qualquer mortal. Acordar com a notícia de seu falecimento nos pega quase de surpresa, dado que já vínhamos acompanhando sua luta pela vida.

Acordar com a notícia de sua morte é saber que a partir de agora fica mais pobre o jornalismo paraibano e a cultura, e que ficamos órfãos de conversas inteligentes no panorama geral da política e das artes e outras demais áreas. É, principalmente saber que não teremos mais aquela conversa gostosa e rica e provocadora, de um cara que soube construir na vida com fidelidade.

O nosso agora é um desejo de que possam ser reajustados aos planos mais Altos, os valores daquilo que aqui realizou com a proeza e distinção, e que possa resgatar o bônus de novas chances, novas oportunidades que certamente versam nos campos celestes da vida eterna.

Vai, nosso amigo, ler e escrever nos céus da poesia, levando o saldo do que aqui de bom deixaste como resultado. Sê com Deus nos caminhos de luz!


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