Saúde

A importância do Câncer de Intestino


19/04/2021

Mônica Souza de Miranda Henriques, é médica especialista em gastroenterologia

Por SGPB

O carcinoma colorretal (CCR) ou câncer de intestino tem merecido destaque no cenário nacional e internacional.

Fatores como aumento da expectativa de vida, e envelhecimento populacional, tem contribuído para sua elevada prevalência, muito embora tenha sido observada aumento de incidência em faixas etárias mais jovens.

No Brasil, as estimativas do INCA apontam mais de 40.000 casos de câncer de cólon e reto em homens e em mulheres a partir de 2020, o que torna essa neoplasia o segundo tipo de câncer mais frequente entre homens e mulheres (excluindo-se os tumores de pele). Até o ano de 2025, estima-se a elevação nas taxas de mortalidade relacionadas ao CCR, em especial em decorrência da maior expectativa de vida e ao processo de envelhecimento da população. Assim, para aumentar as chances de cura e de sobrevida são fundamentais o diagnóstico e o tratamento precoces.

Atualmente, cerca de 85% dos casos de CCR são diagnosticados em fase avançada, o que acarreta maiores custos com procedimentos (cirurgia, quimioterapia, radioterapia) e diminui as chances de cura para um dos tumores malignos mais frequentes e fatais.

Diante dessa realidade que exige medidas urgentes por parte dos cidadãos, dos médicos e das autoridades sanitárias, recomenda-se um conjunto de ações para serem implementadas – nos setores público e privado –, que podem contribuir com a proteção e a defesa do bem-estar, da saúde e da vida dos brasileiros.

1. Estímulo à promoção de hábitos saudáveis, como combate ao tabagismo, alcoolismo, obesidade, sedentarismo, consumo excessivo de carnes vermelhas e dieta pobre em fibras, que são fatores de risco relevantes para o CCR;

2. Realização de uma ampla campanha dos setores público e privado sobre a prevenção do CCR;

3. Implementação de programas que facilitem o diagnóstico precoce do câncer colorretal por meio de exames específicos, como a pesquisa de sangue oculto nas fezes, a colonoscopia e a eventual retirada por endoscopia de lesões pré-malignas;

4. Fortalecimento da rede de atenção aos pacientes com doenças crônicas, permitindo àqueles com diagnóstico de CCR acesso a leitos, equipamentos, exames, medicamentos, insumos e profissionais qualificados para atendê-los em suas necessidades;

A comunidade médica alerta a população brasileira, profissionais da saúde, gestores públicos e tomadores de decisão sobre os riscos relacionados a essa doença e a necessidade de facilitar o acesso ao seu diagnóstico e tratamento precoces.

Para além dessas iniciativas, espera-se contribuir com a prevenção e enfrentamento do CCR, oferecendo à população mecanismos que valorizem seu bem-estar, saúde e qualidade de vida.

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Mônica Souza de Miranda Henriques

É graduada em Medicina, residência em gastro e endoscopia, mestrado em gastroenterologia, doutorado em Farmacologia, professora de gastroenterologia da UFPB e FAMENE, membro titular das Sociedades Brasileira de Endoscopia Digestiva, de gastroenterologia e Hepatologia, e vice-presidente da Sociedade de Gastroenterologia da Paraíba.

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