Saúde

Brasil tem uma das maiores taxas do mundo de morte por infecção generalizada.

Saúde

06/03/2013


 De 10 a 13 de abril, a cidade de Aracaju (SE) receberá renomados profissionais da terapia intensiva para o maior evento da especialidade do Norte-Nordeste, o CONNEMI, que em sua nona edição, reunirá representantes da terapia intensiva de 14 estados das regiões e trará os principais temas da especialidade.

Entre eles um dos grandes desafios de todos os profissionais que atuam nas unidades de terapia intensiva brasileira: a Sepse e os seus índices alarmantes. A médica intensivista Dra. Flávia Machado, vice-presidente do ILAS – Instituto Latino Americano de Sepse, será uma das palestrantes da mesa Sepse UTI Adulto, abordando o tema “Importância do reconhecimento e tratamento precoce da SEPSE”.

Dados de estudos epidemiológicos brasileiros, coordenados pelo ILAS, apontam que cerca de 17% dos leitos de UTIs em nosso país são ocupados por pacientes com sepse grave; e a taxa de mortalidade chega a alcançar 55% dos pacientes que apresentam sepse em nossas UTIs, havendo importante heterogeneidade entre as instituições de saúde, que pode variar entre 30% e 70%. “Trata-se de uma das doenças mais comum e menos reconhecida, tanto em países em desenvolvimento como desenvolvidos”, alerta a médica intensivista Dra. Flávia Machado.

Os dados brasileiros são realmente alarmantes ao serem comparados com as referências mundiais que são de 23,9% e 37,4%, morte por sepse e por choque séptico, respectivamente. Todos os anos, mais de 220 mil pessoas morrem da doença em nosso país, enquanto, por exemplo, acidentes de trânsito mataram, em 2011, cerca de 40 mil pessoas, segundo estatísticas disponíveis no Sistema de Informações.

“Infelizmente, o Brasil tem uma das maiores mortalidades de sepse do mundo. Alguns estudos epidemiológicos mostraram que a mortalidade brasileira é maior do que a de países economicamente semelhante, como a Índia e a Argentina”, reforçou a médica intensivista, que também é Coordenadora da UTI Adulto do Hospital São Paulo, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Na última década, a taxa de incidência da doença aumentou entre 8% e 13% em relação à década passada, sendo responsável por mais óbitos do que alguns tipos de câncer, como o de mama e o de intestino. “Muitas são as razões desse crescimento como o envelhecimento populacional, o aumento das intervenções de alto risco e o desenvolvimento de agentes infecciosos mais virulentos e resistentes a antibióticos”, reforçou Dra. Flávia.

Os motivos desse trágico índice não são totalmente conhecidos. Acredita-se que uma das razões seja devido ao pouco conhecimento da população sobre a doença, o que faz com que os pacientes com sepse sejam admitidos para tratamento em fases mais avançadas da síndrome, quando o risco de óbito é maior.

Além disso, os profissionais de saúde que atendem os pacientes sépticos, seja nos prontos-socorros, enfermarias ou UTIs, também têm dificuldades no reconhecimento rápido da doença e de suas disfunções orgânicas.

O diagnóstico de sepse é feito de forma atrasada e as horas iniciais, importantíssimas para o tratamento com antibioticoterapia e reposição volêmica, são perdidas. Mas obviamente as características do sistema de saúde brasileiro também desempenham um papel, pois muitas vezes em virtude da superlotação dos hospitais, pacientes com sepse são atendidos na fase mais precoce de seu tratamento em locais onde a estrutura não é adequada para dar o suporte que eles precisam. “Quando esses pacientes são admitidos na UTI, as disfunções orgânicas já são preponderantes e a chance de sobrevida é bem menor”, reforça a médica.

Os motivos desse trágico índice não são totalmente conhecidos. Acredita-se que uma das razões seja devido ao pouco conhecimento da população sobre a doença, o que faz com que os pacientes com sepse sejam admitidos para tratamento em fases mais avançadas da síndrome, quando o risco de óbito é maior.

Além disso, os profissionais de saúde que atendem os pacientes sépticos, seja nos prontos-socorros, enfermarias ou UTIs, também têm dificuldades no reconhecimento rápido da doença e de suas disfunções orgânicas. “O diagnóstico de sepse é feito de forma atrasada e as horas iniciais, importantíssimas para o tratamento com antibioticoterapia e reposição volêmica, são perdidas”, reforça a médica.

Mas obviamente as características do sistema de saúde brasileiro também desempenham um papel importante, pois muitas vezes, em virtude da superlotação dos hospitais, pacientes com sepse são atendidos na fase mais precoce de seu tratamento em locais onde a estrutura não é adequada para dar o suporte que eles precisam. “Quando esses pacientes são admitidos na UTI, as disfunções orgânicas já são preponderantes e a chance de sobrevida é bem menor”, alertou Dra. Flávia

O papel dos profissionais de saúde

Os profissionais de saúde têm dois grandes desafios. Primeiramente, aumentar o conhecimento sobre a doença, pois alguns inquéritos prévios mostraram que os médicos brasileiros não conseguem identificar adequadamente as fases da sepse, nem os critérios de disfunção orgânica. É preciso salientar que o diagnóstico de sepse grave geralmente não é feito pelo médico intensivista e sim pelo médico que atende nos serviços de urgência, ou é chamado para avaliar pacientes internados nas enfermarias.

Outro aspecto diz respeito ao fato do Brasil ter taxas elevadas de infecções relacionadas à assistência de saúde, como pneumonias associadas à ventilação mecânica e infecções de cateter central. “Essas infecções podem responder por até 50% das sepses em UTIs. As taxas elevadas podem ser combatidas por medidas que devem ser realizadas por todos os profissionais de saúde, como lavagem de mãos, cuidados com higiene de cateteres e circuitos. Apesar dos profissionais de saúde saberem que essas medidas são importantes, elas são pouco implantadas”, lembra Dra. Flávia.


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