Política

Bosco Carneiro justifica entrega de cargos ao Governo: “Quero ter independência na ALPB para representar o povo”

Deputado não deixou claro se rompeu politicamente ou não com o governador João Azevêdo (PSB).

06/11/2019


Por Ângelo Medeiros

 

O deputado estadual João Bosco Carneiro Júnior (Cidadania) justificou, no início da tarde desta quarta-feira (6), em entrevista à Rádio Correio FM, as razões que o levaram a entregar todos os cargos de sua indicação ao Governo do Estado. Ele afirmou que tomou a decisão com responsabilidade e convicção, pois, deseja assumir uma postura de independência do mandato na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB).

O deputado afirmou que sempre procurou pautar o seu mandato focado na coerência com o interesse público, e que se incomodava com a rotulação de ser deputado de governo ou de oposição. Ele lembrou que no atual mandato do governador João Azevêdo (PSB) tomou posicionamentos contrários a algumas matérias encaminhadas pelo Poder Executivo, a exemplo das fusões de órgãos como o Jornal A União e Rádio Tabajara, que criou-se a Empresa Paraibana de Comunicação (EPC); da fusão da Emater e Interpa, dando origem a Empresa Paraibana de Pesquisa e Extensão Rural e Regularização Fundiária (Empaer); da extinção da Empasa, além de pautas de interesse de categorias do serviço público estadual.   


“Várias posições temos tomado e, muitas vezes essa colocação de ser bancada de governo ou de oposição, não condiz com essa minha linha de atuação. Me incomodava bastante ficar ouvindo algumas pessoas que têm pensamentos diferentes. Então, para evitar esse tipo de coisa, resolvi entregar cargos que não são meus, são do governo, que é quem nomeia ou demite”, frisou.


Ainda segundo Bosco Carneiro, a maioria dos cargos indicados por ele estão lotados no município de Alagoa Grande, onde foi prefeito, e cidades circunvizinhas. São servidores de cargos comissionados que estão no serviço público estadual desde 2011, ou seja, desde o início do projeto do PSB no Governo do Estado, com a ascensão de Ricardo Coutinho (PSB) ao poder.


“Como se tem essa rotulação de que o deputado é quem indica esses cargos, eu me senti na obrigação, pois, se estou discordando de ações do governo, de posicionamentos do governo e quero ter, cada vez mais, independência na Assembleia Legislativa para representar o povo, eu me senti no direito de entregar esses cargos”, frisou.


MUDANÇA


O deputado ainda defendeu uma mudança de postura na classe política atual. Segundo ele, é preciso existir a harmonia entre os poderes, porém, é necessário que prevaleça a independência, conforme preceitua a Constituição Federal brasileira.


“Estou fazendo a minha parte, eu não acho que um parlamento submetido ao governo ou a quem quer que seja possa fazer um bom trabalho para o povo. Nós precisamos ter independência. Não aceito rotulação de ser de governo ou de oposição. Deputado é do povo da Paraíba. Se puxarem as atas da Assembleia Legislativa vocês vão ver que o meu posicionamento sempre foi de coerência, em favor dos meus princípios e convicções e isso vai prevalecer”, disse.


ROMPIMENTO COM JOÃO?


Questionado se a sua decisão seria a comunicação de um rompimento político com o governador João Azevêdo, o deputado Bosco Carneiro deixou a possibilidade em aberto. “Quando o povo elege um deputado, ele não elege um deputado do governador João Azevêdo ou de Ricardo Coutinho, nem do governo e nem da oposição, elege para representar o povo. Se isso na cabeça de alguém é romper com o governo, eu rompi”, disse.


“E, se na cabeça de alguém é rompimento, não pensem também que se chegar um projeto do Governo de interesse da Paraíba, João Bosco Carneiro vai ser contra por ser contra. Vou votar porque eu tenho obrigação de votar pelo povo da Paraíba. Agora votar contra quando achar que devo fazer, já fiz sendo da base do governo e farei sempre, com a minha coincidência tranquila”, concluiu.

 


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Maurilio de Almeida

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