Política

Bolsonaro diz que vai depor presencialmente no inquérito sobre interferências na Polícia Federal

Ministros retomariam nesta quarta análise sobre formato do depoimento presidencial; Bolsonaro pedia para se pronunciar por escrito. AGU informou novo posicionamento ao Supremo.


06/10/2021

WSCOM com Estadão



O presidente Jair Bolsonaro, minutos antes do início da sessão desta terça-feira (6) no Supremo Tribunal Federal (STF), encaminhou ao ministro Alexandre de Moraes, por meio do advogado-geral da União, Bruno Bianco Leal, a informação de que prestará pessoalmente o depoimento à Polícia Federal (PF) no inquérito que apura se houve interferência política do chefe do executivo na corporação. O ministro Alexandre de Moraes solicitou, portanto, a suspensão do julgamento para avaliar se a pauta foi prejudicada. Até agora, Bolsonaro vinha pedindo permissão da Justiça para se manifestar por escrito.

“O requerente [Bolsonaro] manifesta perante essa Suprema Corte o seu interesse em prestar depoimento em relação aos fatos objeto deste Inquérito mediante comparecimento pessoal. Nesta oportunidade, requer lhe seja facultada a possibilidade de ser inquirido em local, dia e hora previamente ajustados, e, diz a mensagem da AGU enviada a Moraes.

No documento, Bolsonaro afirma que a medida foi tomada com o “intuito da plena colaboração com a jurisdição dessa Suprema Corte”. Na semana passada, segundo um interlocutor dos ministros, a tendência no STF era de que fosse mantido o entendimento elaborado pelo ex-ministro Celso de Mello, que conduziu o inquérito como relator até sua aposentadoria. O ex-decano defendeu a posição de uma oitiva presencial para o presidente da República e do envio de perguntas pelo ex-ministro Sérgio Moro, pivô da investigação.

Leia aqui a íntegra: BOLSONARO DIZ QUE VAI DEPOR PRESENCIALMENTE À PF

Em setembro de 2020, o ex-ministro Celso de Mello determinou que o depoimento fosse coletado presencialmente pela PF. Dois meses depois da decisão, o presidente disse ao STF que “declinava do meio de defesa”. A indefinição travou o inquérito por quase um ano.

Moraes determinou em julho deste ano que a PF retomasse as investigações sobre a suposta tentativa de interferência política do presidente na corporação. Na ocasião, o ministro apontou a ‘necessidade de realização de diligências pendentes para o prosseguimento das investigações’, mesmo que o plenário não tenha decidido o modo de coleta das declarações.

O depoimento de Bolsonaro é a única etapa que falta para a conclusão do inquérito. Assim que for finalizado, o relatório da PF será enviado à Procuradoria-Geral da República (PGR), a quem cabe decidir se há provas suficientes para a apresentação de uma denúncia contra Bolsonaro.

A antecipação de Bolsonaro à decisão do Supremo e o indicativo de cooperação em uma pauta que, possivelmente, elevaria a tensão entre os Poderes surge no momento de recuo tático do ocupante do Planalto nos ataques à instituição e seus ministros. Na esteira dos eventos das manifestações de 7 de Setembro, e da crise política que se seguiu, o presidente costurou uma trégua nos ataques à Corte e, sobretudo, ao ministro Moraes, com o auxílio do ex-presidente Michel Temer (MDB) – o emedebista encarnou a figura de conciliador e mediou o contato entre o atual chefe do Executivo e o magistrado.



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