Paraíba

Anid inaugura espaço de letramento digital em Barra de Mamanguape

29/05/2013


A Associação Nacional para Inclusão Digital (Anid) inaugura no próximo sábado, 1, um Espaço de Letramento Digital voltado para os moradores de Barra de Mamanguape, no município de Rio Tinto. Segundo a mestre em Linguística Aplicada, Thaís de Abreu Garcia, trata-se de um centro comunitário onde os moradores e comunidades circunvizinhas terão acesso à internet, aulas de informática básica, entre outros cursos de interesse dos usuários.

Entre estes cursos, se destacam oficinas de artesanato, educação ambiental, saúde, consciência e participação política. O espaço visa contribuir para ampliar as práticas de letramento, principalmente digital, desses novos usuários.

O projeto Pescadores Online surgiu como proposta da pesquisa de Thaís, no mestrado pela Universidade Federal da Paraíba, em 2010. “Meu objetivo foi mapear as práticas de letramento dos monitores do projeto antes e depois da chegada da internet na comunidade e investigar o impacto das novas TIC nas suas práticas sociais de uso da leitura e da escrita”, explicou.

Segundo ela, a comunidade vem participando ativamente de todas as etapas do projeto desde o seu surgimento. Desde a capacitação e formação de monitores locais para atuar no Espaço de Letramento Digital, bem como a criação de um Conselho Gestor, formado por representantes da comunidade, além das frequentes rodas de diálogo para discutir assuntos de interesse dos moradores e estabelecer metas e objetivos a serem alcançados a partir da elaboração de projetos.

“Vale ressaltar que a sede oficial do projeto foi construída através de mutirões comunitários, ou seja, estamos sempre buscando desenvolver ações participativas que colaborem para tornar os moradores sujeitos de suas próprias histórias”, conta.

A Anid é a principal incubadora do projeto, fornecendo toda a infraestrutura necessária para o seu funcionamento. Além de internet gratuita, a Associação financiou o terreno e todo o material para construção da sede oficial.

“Numa perspectiva social e política, pode-se dizer que o trabalho da Anid, de levar banda larga de qualidade à localidades remotas, é fundamental para que projetos como o nosso possam se desenvolver, contribuindo para a democracia do acesso aos meios de informação e comunicação”, acrescentou a coordenadora.

Para o presidente da Anid, Percival Henriques, o letramento digital é importante para que se possa ir além dos espaços dos telecentros. “Houve uma movimentação extremamente rica no Brasil. O Brasil acabou com o mercado cinza de computadores, acabou com carga tributária, hoje praticamente não se importa mais computadores. E hoje você compra um netbook por menos de R$ 500”, relata.

O projeto de Letramento Digital em Barra de Mamanguape começou a aproximadamente dois anos. No início, Thaís Garcia tinha a proposta de mapear as práticas de letramento dessa comunidade, considerando que o único meio de acesso à informação é antena parabólica, rádios locais etc. “Eu queria ver a relação desses moradores com a leitura e a escrita, quais eram as práticas letradas que eles desenvolviam na comunidade, pra depois contrastar essas práticas com as que eles desenvolveram após a implantação”, explicou.

 

Ao final do projeto, ela analisou o contraste das práticas de letramento antes e depois, observando que os usuários passam a acessar as redes sociais, e começam a escrever muito mais, passando a escrever relatórios e participar mais das rotinas de sua comunidade.

“Antes, as práticas de leitura e escrita eram praticamente inexistentes. Com a chegada do projeto, essas práticas começaram a ocorrer com mais frequência e os indivíduos começaram a trabalhar mais a questão da leitura e escrita por estarem envolvidos também nos resultados”, avalia.

Os moradores utilizam temas de relevância para a comunidade, como questões de meio ambiente, fortalecimento dos grupos artísticos, artesanato, agricultura familiar, por exemplo, com intuito de gerar renda e trabalhar alguns conceitos da economia solidária. “Então são várias temáticas que a gente percebe como problema, mas que tem potencial de se transformar em algo positivo. Na realidade, você passa a olhar os problemas como possíveis potencialidades”, concluiu Thaís.


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