Política

Advogado Marcos Tolentino nega ser sócio oculto, mas não explica ligação com empresa investigada

Comissão apura se o FIB Bank, que não é banco, tinha condições de garantir R$ 80 milhões em compra de vacina.


14/09/2021

(Foto: reprodução)

WSCOM com G1



O advogado e empresário Marcos Tolentino recorreu ao direito ao silêncio durante o depoimento à CPI da Covid nesta terça-feira (14), diante dos diversos questionamentos sobre sua relação com o FIB Bank e com empresas vinculadas à garantidora. O FIB Bank foi a instituição que emitiu uma carta-fiança para a contratação da vacina indiana Covaxin.

Tolentino limitou-se a negar ser “sócio oculto” do FIB Bank. O envolvimento dele com a empresa é uma das principais frentes de investigação da CPI.

A comissão quer saber por que a Precisa Medicamentos, empresa que intermediou a compra da Covaxin junto ao governo, contratou a garantia do FIB Bank, que nem banco é.

A carta-fiança assinada pelo FIB Bank era de R$ 80,7 milhões. A CPI suspeita de que o FIB Bank não teria esse valor e também que o quadro societário da empresa é formado por “laranjas”.

O depoimento de Tolentino faz parte das apurações sobre as empresas intermediárias em contratos de vacinas. No caso da Covaxin, a compra, que seria de R$ 1,6 bilhão, foi cancelada após denúncias de irregularidades.

Tolentino é amigo do líder do governo de Jair Bolsonaro, deputado Ricardo Barros (PP-PR), investigado pela comissão.

“Sobre a minha participação no quadro societário do FIB, divulgada por matérias afirmando a dita sociedade oculta acerca da empresa FIB Bank, eu, Marcos Tolentino, afirmo que não possuo qualquer participação na sociedade. Não sou sócio da empresa, como veiculado por algumas matérias”, afirmou aos senadores.

Triangulação de empresas

Ao longo do depoimento de Tolentino, senadores apresentaram uma triangulação de empresas que, segundo eles, indica uma vinculação do advogado ao FIB Bank.

Entre as evidências apresentadas pela CPI, está uma procuração que garantiu a Tolentino “poderes amplos e especiais em caráter irrevogável e irretratável” para representar a empresa Pico do Juazeiro.

A Pico do Juazeiro é uma das duas sócias do FIB Bank – o capital da empresa, um terreno de R$ 300 milhões, foi integralizado à garantidora da Covaxin.

Ao ser questionado sobre a relação com a Pico do Juazeiro, Tolentino afirmou que ia usar o direito constitucional e permanecer em silêncio. O empresário também se calou quando questionado se recebia alguma remuneração pela procuração da empresa.

“Não existe, no direito brasileiro, uma procuração com poderes irreversíveis para vender e comprar e sem dar prestação de contas. Há cartórios no Brasil que não aceitam esse tipo de procuração, porque isso caracteriza e crava, de acordo com a jurisprudência, que a pessoa passa a ser proprietária. Então, a partir do momento em que a Pico do Juazeiro entregou para ele uma procuração com poderes absolutos, irreversíveis, sem precisar prestação de contas, ele está dizendo o seguinte: ‘Toma, que o filho é seu’. A Pico simplesmente, que é sócia do FIB Bank, deu para Tolentino a propriedade, a sociedade do FIB Bank”, afirmou a senadora Simone Tebet (MDB-MS).



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