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Enchentes no RS: os primeiros números de uma catástrofe sem precedentes (Ep. #117)


11/05/2024

Foto: Assessoria Fiep

Por Agência CNI de Notícias

O Brasil assiste, incrédulo, aos efeitos da maior catástrofe climática da história do Rio Grande do Sul: mortos, feridos, pessoas que perderam tudo o que tinham. O episódio desta semana do Economia em 60 segundos traz os primeiros números dessa tragédia.

Escute aqui, o Economia em 60 segundos.

Desde o início das enchentes, já foram atingidos 336 municípios (67,6% do total do estado), onde residem 9,1 milhões de gaúchos, ou 83,5% da população gaúcha.

Os locais atingidos incluem os principais polos industriais do estado. Os primeiros levantamentos, feitos pela Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS), mostram que os setores mais afetados pelas enchentes são os de veículos, máquinas, móveis, derivados do petróleo, alimentos, calçados e químicos.

São mais de 43 mil fábricas prejudicadas de alguma forma pelas chuvas, o que corresponde a 86,4% das indústrias do estado. Em termos de empregos, são mais de 740 mil pessoas sem perspectivas, ou 87,2% dos postos de trabalho industriais do Rio Grande do Sul.

As regiões do Vale dos Sinos, Metropolitana e Serra são as mais afetadas em termos de quantidade de indústrias e de empregos industriais. As regiões Central, Planalto e Metropolitana concentram importantes indústrias exportadoras do Estado.

A indústria gaúcha representa 6,1% do PIB industrial brasileiro, quase 9% dos estabelecimentos industriais do país e 7,7% dos empregos formais no setor. Além disso, é um importante estado exportador, que concentra 6,5% de tudo o que vai para o mercado internacional no Brasil.

Os principais produtos exportados no Rio Grande do Sul são tabaco em folhas e farelo de soja e os principais países que importam da indústria gaúcha são a China e os Estados Unidos.

No Brasil, o Rio Grande do Sul é o principal produtor de tabaco e também tem expressiva participação na fabricação de couro e calçados, móveis e máquinas e equipamentos.

Com danos a tantos elos da infraestrutura gaúcha, os problemas logísticos vão estender os danos a todas as cadeias econômicas do estado. Não é mais questão de desobstruir vias, mas de reconstruir estradas, pontes, ferrovias e até o aeroporto de Porto Alegre. Como consequência inevitável, muitos postos de trabalho serão fechados.

Ajuda humanitária

As bases aéreas de Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo se tornaram pontos de recebimento de donativos para o povo gaúcho. Foto: Bruno Frauzino/FIBRA

Em meio às notícias desoladoras, uma forte corrente de solidariedade se formou em todo o país, especialmente ao longo desta semana.

Os donativos têm chegado ao povo gaúcho por várias frentes. A indústria brasileira, com a enorme força e capilaridade que tem, criou um núcleo – por meio da Confederação Nacional da Indústria (CNI), do Serviço Social da Indústria (SESI) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) – para coordenar a ajuda humanitária ao estado.

Serão 65 milhões de reais, aprovado em reunião extraordinária do Conselho Nacional do SESI, para assistência médica, educação, reestabelecimento de serviços essenciais, reconstrução de estruturas, compra de suprimentos e materiais de divulgação de campanhas de doação.

Centenas de empresas estão enviando água potável, alimentos, roupas, itens de limpeza e de higiene pessoal direto das fábricas ou por meio de arreacadações.

No Rio Grande do Sul, as unidades do SESI viraram abrigos para as vítimas. 5 mil pessoas já foram acolhidas e estão recebendo assistência social e de saúde nessas unidades.



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