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Paraíba

15/10/2019


Walter Santos analisa o papel fundamental do professor na formação cidadã das pessoas

Na imagem, o jornalista e analista político Walter Santos

O novo texto do jornalista e analista político Walter Santos, nesta terça-feira (15), aborda a importância do(a) professor(a) em toda a fase da história, sobretudo quando constrói a consciência de cidadania. Em seu artigo, ele aborda o caso da Alemanha, sua formação e importância de professores como Paulo Freire e Lynaldo Cavalcanti.

 

Eis o texto a seguir:

Neste dia 15, não há como deixar de reverenciar o(a) professor(a) como Fundamental na sociedade

 

Para Profa Nini, Prof Lynaldo e Paulo Freire

Recentemente, na última eleição da Alemanha – país de exemplo extraordinário na reconstrução sócio – econômica – a primeira ministra Angel Merkel pôs sua reeleição em perigo por ter sustentado a decisão de manter o salário do professor alemão como o melhor padrão entre todos os demais profissionais, mesmo diante de médicos, engenheiros, jornalistas, etc.

 

O argumento central de Merkel esteve na consciência da sociedade alemã de que o professor é formador de todas as profissões, por isso merece tratamento diferenciado.

 

A REALIDADE CRUEL NO PAÍS

Infelizmente, o que testemunhamos de janeiro para cá no Brasil é o avesso do avesso do avesso alemão com muitas decisões e políticas tomadas desmantelando conquistas históricas, doloridas de anos e anos.

 

Longe do respeito imenso ao Professor, hoje o Ministério da Educação promove retaliações, intolerâncias e medidas quase medievais quando não se respeita a opinião divergente e assim criminaliza a filosofia – base greco – romana fundamental – tratando como crime, repito.

 

Liberdade de pensamento e reflexão do seu habitat para construção de caminhos na vida são fundamentais na educação. O homem ou a mulher livre é em si a essência social para saber escolher o que quer na vida. Chega de regime escravocrata!

 

Nem me refiro à qualidade salarial dos professores, entre os quais os das Universidades Federais, porque neste quesito o drama é ainda maior.

 

OS ENSINAMENTOS DE PROFª NINI E PAULO FREIRE EM ANGICOS

No início dos anos 60 aprendi a ler e escrever com uma professora severa, bonita e pedagoga conhecida como Nini, filha de Dona Maroquinha, todos nós moradores da Rua coincidentemente Maroquinha Ramos, na Torre, sabendo ensinar como poucos.

 

Depois de saber da tabuada e estudar caligrafia e toda a cartilha apresentados a todos nós por ela, lembro-me que o primeiro livro que li como presente dela foi “A história da borracha no Acre”. Fiquei orgulhoso do feito e festejei com suco de maracujá com minha saudosa querida mãe Maria Júlia (in memorian). Duda sabe disso.

 

Mas, mais do que aprender a ler e escrever foi ouvir dela repetidamente que precisávamos saber sermos gente civilizada, que respeitasse o outro, trabalhasse, não roubasse, mas nada era mais importante na vida do que a educação como o maior dos aliados.

 

Daí fui estudar no Colégio Santa Júlia, fiz prova para ingressar no Liceu paraibano e terminei Comunicação Social na UFPB. Tudo em escola pública.

 

O CASO ANGICOS

Esta filosofia revolucionou uma cidade no Rio Grande do Norte em 1963 com o pedagogo conscientizador de nome Paulo Freire em 40 dias apenas alfabetizando dezenas de pessoas – jovens e adultos – sabendo ler e escrever dando-lhes consciência de cidadania para entender que a pobreza extrema na cidade não era obra de Deus mas de humanos, muitos políticos, que sobreviviam da alienação das pessoas.

 

Paulo Freire foi preso e carimbado de comunista só porque levou consciência cidadã a Angicos levando seus aliados alfabetizados ao horror porque passaram a ser perseguidos.

 

Importante: o pós doutor Carlos Alberto Torres, da Universidade de Los Angeles produziu em junho passado uma coletânea com textos de especialistas/educadores do mundo um livro com 600 páginas mostrando a alta influência de Paulo Freire nos continentes.

 

SÍNTESE DO TEMPO PRESENTE

A “nova ordem” trata as universidades como ambientes de comunistas, mas só que não conhece o ambiente nem o frequenta reproduz essa lógica medieval ultrapassada.

 

A rigor, o ensino superior no Brasil já é privatizado. 50% das universidades são privadas, 30% são mistas ( comunitárias, fundacionais,.etc) e apenas 20% correspondem às Universidades públicas.

 

Detalhe: apesar de minoria, as instituições federais representam 82% do que é produzido na ciência e tecnologia do Brasil – neste último caso dedico a abordagem de hoje ao mestre , doutor Lynaldo Cavalcanti de Albuquerque.

 

Em plena ditadura de João Figueiredo fez a UFPB depois partilhada pela UFCG atrair grandes nomes das várias ciências fazendo nossa universidade ser o orgulho de hoje com a 2ª e a 4ª instituições campeãs em registro de patentes no país.

 

TEMPO DE SEGUIR

Não, ninguém vai recuar do ofício soberano do(a) professor(a) por ameaças absurdas. É preciso resistir com sabedoria e manutenção do compromisso de formar cidadãos aptos ao novo tempo nas profissões, claro que buscando viver com dignidade e ascensão sabendo respeitar o outro e saber ser solidário quando preciso.