Cinema

Sertão da Paraíba é cenário de mais um longa

Produção

10/02/2014


O sertão da Paraíba anda agitado com a presença da equipe do longa Deserto. A pequena região da Serra de Picotes, a 300 km de João Pessoa é o cenário escolhido para contar a história inspirada na obra “Santa Maria do Circo”, do premiado escritor mexicano David Toscana. O roteiro é de Guilherme Weber e Ana Paula Maia.

Weber estreia na direção e está ansioso e feliz. “Começar as filmagens de uma obra é embarcar em direção ao desconhecido. No cinema somos todos viajantes. Começar as filmagens do primeiro filme é também encontrar a memória de todos os filmes a que eu assisti e que definiram minha paixão. Penso em Glauber Rocha, Dreyer, John Ford e tantos que abriram caminhos para que chegássemos até aqui tão plenos de significados. Aqui no mítico sertão da Paraíba encontro o espaço mais complexo e renitente da identidade nacional para construir um novo universo, pessoal e espero que transferível. Aqui descubro o Brasil que amei nas salas escuras.”

O filme é uma alegoria do mundo e da condição humana contada através da fábula da construção de uma nova sociedade por artistas no meio de deserto brasileiro. Conta a história de um grupo de velhos artistas que viajam apresentando um espetáculo pelo sertão brasileiro e, ao chegarem num pequeno vilarejo, para mais uma apresentação, descobrem uma cidade abandonada, composta de algumas casas, uma igreja e uma fonte que jorra água limpa, como uma miragem ou um milagre do deserto bíblico. Velhos e cansados da vida errante, os oito artistas decidem ficar neste vilarejo e quixotescamente fundar ali uma nova sociedade. Entretanto, esta sociedade não consegue escapar dos piores vícios das sociedades convencionais.

A história propõe a reflexão sobre os papeis sociais, as construções das classes enquanto maioria e minoria, e tenta ao mesmo tempo resolver o questionamento sobre a função da arte e do artista no que diz respeito às transformações no âmbito coletivo da humanidade. Os personagens do filme são fabulares, dando vazão à reflexão filosófica, que ocorre num cenário de deserto nacional. E para desempenhar os papeis, um elenco de peso: Lima Duarte, Everaldo Pontes, Cida Moreira, Fernando Teixeira, Márcio Rosário, Claudio Castro, Magali Biff e Pietra Pan.

Weber conta que Lima Duarte chega, aos oitenta e três anos, com o entusiasmo de um menino para seu quinquagésimo filme. “Ele carrega na pele, nos olhos e na memória todo o cinema brasileiro. É um de seus heróis e liga o olhar da minha primeira direção à uma gigantesca cinematografia. Vejo o elenco arrancando das páginas de papel os personagens que vão doar ao mundo depois de muitos dias sob o sol, o calor e a poeira e através destes atores me entusiasmo. A equipe que conseguimos reunir para este projeto representa hoje parte do melhor do nosso cinema. Tê-los como guias desta primeira jornada me enche de gratidão.”

O diretor Guilherme Weber é curitibano e tem uma carreira consagrada no teatro, no cinema e na televisão. Foi eleito um dos atores mais importantes e influentes da última década pelo jornal Folha de São Paulo. Fundou, em 1993, em parceria com o diretor Felipe Hirsch a Sutil Companhia de Teatro, que em dezoito anos de atividades acumula mais de cem prêmios e participações nos mais importantes festivais do mundo.

A produção de Deserto confirma a vocação da Bananeira Filmes em viabilizar projetos ousados e originais, tendo como fim a apresentação para o mercado nacional e internacional das novas vozes da criação cinematográfica no Brasil. A produtora é a responsável pela estreia de atores consagrados na direção de longa-metragens. Foi assim com Mateus Nachtergale e “A Festa da Menina Morta” e com Selton Mello em sua estreia com “Feliz Natal”, bem como com o grande sucesso “O Palhaço”. Reconhecidos no Brasil e internacionalmente, os filmes produzidos já frenquentaram importantes festivais e receberam relevantes prêmios.

O projeto ganhou o edital da Petrobras e tem o patrocínio da Energisa, Cataratas do Iguaçu e Fundo Setorial.

Maurilio de Almeida

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