A investigação detalhada conduzida pelo portal Metrópoles revela a estreita ligação do ministro Dias Toffoli com o resort Tayayá, localizado em Ribeirão Claro (PR). O local, situado estrategicamente na divisa entre Paraná e São Paulo, tem servido como um centro de articulação informal onde o magistrado recebe a elite financeira e política do país. Um vídeo de janeiro de 2023 flagrou Toffoli recepcionando o banqueiro André Esteves (BTG Pactual) e o empresário Luiz Pastore (Grupo Ibrame), que chegaram ao heliponto do hotel em um helicóptero de luxo avaliado em US$ 12 milhões.
Relações de Proximidade e Conflitos de Interesse
A interação gravada mostra um grau de intimidade que ultrapassa o protocolo institucional: Toffoli cumprimentou Pastore com um beijo no rosto e um forte abraço, enquanto com Esteves a recepção incluiu um aperto de mão seguido de um momento de conversa informal com bebidas. Pastore é uma figura central nessa rede de contatos; o ministro já utilizou o jatinho particular do empresário para assistir à final da Copa Libertadores no Peru.
Essa proximidade gerou desconforto no Supremo Tribunal Federal, especialmente porque Toffoli é relator de casos de interesse de instituições ligadas aos advogados que o acompanhavam nessas viagens, como Augusto de Arruda Botelho, advogado de Antônio Bull, ex-diretor do Banco Master. O cenário de exposição levou o presidente da Corte, Edson Fachin, a propor um código de ética mais rígido, iniciativa que causou mal-estar entre ministros como Alexandre de Moraes, cuja esposa possui contrato milionário com o Banco Master.
Embora o resort esteja formalmente registrado em nome de dois irmãos e um primo de Toffoli, a realidade constatada no local levanta dúvidas sobre a verdadeira propriedade. Repórteres que se hospedaram no hotel verificaram que os funcionários tratam o ministro como o “dono” do empreendimento. Toffoli dispõe de uma residência de luxo exclusiva, um barco e, em datas festivas, chega a fechar todo o hotel para eventos privados com mais de 140 convidados. Além da estrutura de lazer, o resort abriga um cassino com máquinas de caça-níquel e mesas de blackjack, práticas que permanecem proibidas pela legislação brasileira.
A transação com a J&F e a frequência de estadias
A dinâmica do resort mudou em abril de 2025, quando foi vendido ao advogado Paulo Humberto Barbosa, figura ligada aos irmãos Wesley e Joesley Batista, donos da J&F. A venda ocorreu dois anos após Toffoli ter suspendido uma multa bilionária de R$ 10,3 bilhões contra o grupo dos irmãos Batista.
Mesmo após a venda, a presença do ministro no local intensificou-se. Dados do TRT-2 indicam que, entre 2022 e o início de 2026, Toffoli esteve no resort por pelo menos 168 dias, distribuídos em 19 ocasiões. O levantamento estatístico mostra que o magistrado frequenta o hotel em média uma vez por semana, consolidando o Tayayá como seu principal reduto de descanso e articulação fora de Brasília.
Assista ao vídeo flagrante abaixo: