Essa expressão popular tornou-se sinônima de estelionato. Crime de natureza econômica, previsto no Código Penal Brasileiro. O delito é configurado pela prática da utilização de meios fraudulentos para obter vantagens em prejuízo alheio.
O mundo está cheio de pessoas que, aproveitando-se da ingenuidade de outros, aplicam esse golpe de esperteza. Os incautos, muitas vezes, impulsionados pela ganância se deixam ludibriar pelos trapaceiros. E tarde demais percebem que foram enganados, caindo assim no “conto do vigário”. Esses indivíduos chamados de “vigaristas” surgem de todos os lados.
É interessante como um procedimento ilegal e aético pode estar relacionado à figura de um padre, um religioso. Soa meio que fora de contexto. Todavia, alguns pesquisadores contam que, esse dito popular nasceu de uma querela entre dois vigários de paróquias mineiras, em disputa por uma imagem de Nossa Senhora. Como solução do problema um deles propôs que amarrassem a imagem da santa, num burrinho que se encontrava solto na rua. A idéia sugeria que para o lado da igreja que o animal se dirigisse seria onde a imagem ficaria. Descobriu-se depois que o vigário que apresentou a proposta era o dono do burrinho, logo foi para a sua igreja que se encaminhou. Moral da estória: o vencedor aplicou um golpe de esperteza, utilizou-se de uma manobra desleal para ganhar a refrega.
Se verdadeiro ou não esse episódio, o fato é que a execução desse delito ficou popularmente conhecida como “conto do vigário”.
Portanto todo cuidado é pouco com os “vigaristas”. Eles estão à solta, sempre dispostos a armar seus “botes” e tirar vantagem dos ingênuos ou inadvertidos.
* Integra a coletânea de textos que intitulei “REFLETINDO A SABEDORIA POPULAR (ditados, expressões e provérbios)”.