Compartilhei na minha página do facebook um vídeo em que a nossa conterrânea Rachel Shaharezade faz veemente comentário de repúdio à manifestação preconceituosa da estudante paulista Mayra Petruso contra os nordestinos, o que lhe causou, em conseqüência, uma condenação pela justiça. Rachel com a sua privilegiada competência e inteligência registrou publicamente toda a indignação que toma conta de nós que nascemos neste pedaço do Brasil , considerado um paraíso tropical por suas belezas naturais e por sua gente acolhedora e hospitaleira.
Esse preconceito contra os nordestinos não é de hoje. No sul/sudeste não é raro vermos tratamento de discriminação contra os migrantes dos estados do Nordeste. Não deixa de ser uma expressão de racismo, em razão da nossa origem. Se julgam diferentes ou superiores porque descendem dos europeus, com predominância de brancos, enquanto somos descendentes de mulatos e índios, prevalecendo uma população negra.
Em 1997, oportunidade em que participava de uma partida de futebol em Natal, vestindo a camisa do Vasco, o jogador Edmundo, ao ser expulso pelo árbitro, que era cearense, assim reagiu: “A gente vem jogar na Paraíba e colocam um “paraíba” para apitar, só dá nisso”. Edmundo provou que além de preconceituoso, não sabe geografia. Esse tipo de comportamento é muito comum, quando querem menosprezar os nordestinos, que, de forma um tanto jocosa, costumam chamar de “paraíba” ou “baiano”.
Assim como a estudante paulista, o jogador carioca também deveria ter sido condenado pela prática do crime de xenofobia. Esquecem esses que o crescimento econômico do sudeste se deve muito à contribuição da força de trabalho dos nordestinos que migraram para aquela região. Por pura ignorância desconhecem que somos a raiz cultural do Brasil. Foi aqui que tudo começou. E são nascidos aqui grandes expressões da cultura nacional, sem falar nos destaques do mundo político. Quem se julga diferente, na verdade se expõe como despreparado e inculto, e nisso realmente reside a diferença, podemos ser até em boa parcela analfabetos, mas é difícil encontrar um nordestino burro. Se não tem a cultura de formação escolar, tem a cultura de formação na luta da vida, conquistada na experiência e na solidariedade que caracterizam nosso povo, enfrentando as intempéries do nosso ambiente, mas acima de tudo respeitando o próximo.
Esse preconceito movido por questões geográficas é inaceitável. Basta de querer associar a pobreza e a violência dos grandes centros do sudeste brasileiro à presença sempre crescente dos nordestinos naquela região. A decisão da justiça ao condenar a estudante preconceituosa e ignorante é um exemplo importante para que possamos, de uma vez por todas, eliminar esse sentimento de enxovalhamento e desrespeito para com o povo nordestino.
