Abril/1968: O fim da greve

 

Depois da ocupação do Restaurante Universitário na sexta feira, dia cinco de abril, a polícia militar decidiu também se instalar nas imediações da Cidade Universitária, chegando ao extremo de montar barricadas de sacos de areia para se proteger de qualquer reação dos estudantes.

Os carros da polícia que transitavam pelas ruas próximas à Lagoa e a Cidade Universitária eram alvos de vaias dos estudantes e de populares.

Na tarde do dia oito de abril o Diretório Central dos Estudantes – DCE tornou pública uma nota em que transmitia sua posição diante dos últimos fatos.

“Ao povo paraibano.
Diante do movimento de protesto nacional, e em particular da Paraíba, este Diretório sente-se no dever de esclarecer à opinião pública paraibana os seguintes pontos:
1. protestamos contra as arbitrariedades praticadas pelo Governo do Estado atacando estudantes indefesos dos quais a população é a maior testemunha;
2. apoiamos, sem desvanecimentos, todas as justas aspirações da classe estudantil paraibana, dentro de uma linha de conduta progressista, no que estamos certos, contaremos com a opinião esclarecida do povo paraibano;
3. não silenciaremos diante das manobras do governo do Sr. João Agripino que, de maneira torpe, tenta confundir os estudantes com baderneiros e provocadores, distorcendo, vergonhosamente, a verdade dos fatos;
4. somos pela manutenção da verdadeira ordem e defendemos o regime democrático de fato, mas não calaremos diante da desordem organizada pelo governo do Estado que mandou espingardear e massacrar os estudantes e o povo que lutam pacíficos e desarmados pelo direito de não continuarem sendo assassinados em praça pública;
5. denunciamos à opinião púbica o complô adredemente armado pelo governo do Sr. João Agripino com o objetivo de massacrar os movimentos estudantis e a opinião livre do povo paraibano;
6. reafirmamos a nossa solidariedade aos companheiros criminosamente baleados pela polícia do Sr. João Agripino, bem assim outros colegas e populares furiosamente espancados a mando das autoridades num massacre talvez jamais presenciado na Paraíba, dirigido contra os anseios de liberdade dos estudantes e mais diretamente contra a dignidade da Paraíba e do seu grandioso povo;
7. esperamos que sejam devolvidos aos estudantes e ao povo as prerrogativas mais essenciais à dignidade humana: o direito de livre manifestação nas praças e nas ruas, consagrado na Constituição Federal, que o governo insiste em desrespeitar.

João Ferreira da Silva – Presidente do DCE¨

Na mesma data a Universidade Federal da Paraíba, por seu reitor, Guilardo Martins Alves, divulgava a seguinte nota oficial:
“O reitor da Universidade Federal da Paraíba, em face dos acontecimentos recentemente verificados e no intuito de criar condições para promover o clima propício às atividades construtivas, resolve dispensar as aulas de todas as unidades universitárias, até a quinta feira próxima, dia onze de abril, inclusive o expediente do pessoal administrativo”

Os estudantes em assembléia geral, realizada no dia dez de abril, decidiram por fim à greve e retornarem às salas de aula na segunda feira, dia quinze, após a semana santa.

• esse texto faz parte da série COMO A PARAIBA VIVEU O ANO DE 1968
• comentários e informações adicionais devem ser encaminhados para o email: iurleitao@hotmail.com

 

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