Tem sido espetacular o nivel de análise e interação de paraibanos morando fora da Paraiba se atualizando através da Internet, em especial da WSCOM. Hoje, partilho outra avaliação de um paraibano de alto valor e discernimento no trato das coisas da Paraiba e do Brasil que, mesmo com exigência do anonimato, nada me impede de reproduzir. Leiamos Juntos:
“Meu caro Walter Santos,
De longe, tenho acompanhado a política paraibana. E, me surpreendi com a iniciativa do senador Cícero Lucena de apoiar José Maranhão. E, ainda mais por não ter visto, até agora, nenhuma manifestação do jovem deputado Rui Carneiro, que me parecia ser um seu fiel escudeiro.
O jovem deputado carrega consigo não um mero nome, mas um verdadeiro legado. É possivel que na Paraíba, somente os seus familiares e o nosso Gonzaga Rodrigues e José Octávio tenham nítida lembrança do que ele representou na política paraibana.
Durante a comemoração do centenário de seu nascimento, o ex-prefeito de João Pessoa, e seu sobrinho , Carneiro Arnaud declarou que o seu tio tinha duas qualidades fundamentais: “lealdade e seriedade”, razão porque nunca dera as costas para os seus amigos.
Embora a lealdade seja diferente da amizade, geralmente elas andam juntas. E Rui Carneiro, o senador, primava em ser amigo. Recebia a todos os paraibanos na sua casa do Rio Comprido ou no seu escritório da Rua do Ouvidor, endereços que mantinha no Rio de Janeiro e que muitas vezes freqüentei.
A propósito da amizade, o grande filosofo, grego, Aristóteles considerava a existência de três tipos de amizade, levando em conta o seu fundamento:
– a chamada amizade do prazer, formada entre pessoas que se acham reciprocamente agradáveis.
– a amizade da utilidade que se fundamenta naquilo que cada um recebe do outro.
– a amizade da virtude, que encontra a sua base na admiração mútua. É a amizade entre aqueles que desejam o bem de seus amigos por si mesmo. São amizades que não se formam por mera circunstâncias.É uma amizade díficil porque homens dessa espécie são raros.
Se eu tivesse de classificar o senador Rui Carneiro não titubearia em enquadrá-lo como um amigo da virtude.
Mas esse negócio de classificar e de enquadrar pessoas é impróprio. O que é certo mesmo é a moral da fábula de Esopo ” é na dificuldade que se prova a amizade”. E aí o senador Rui Carneiro era mestre.
Já a lealdade, em minha opinião, representa a marca, o selo, o timbre da constância, da solidez do relacionamento das pessoas.
A Bíblia fornece vários exemplos ilustrativos da lealdade. Acho exemplar a lealdade de Davi ao seu rei Saul, mesmo quando ele queria matá-lo,( 1 Samuel, 24 e 26). Mas muito me agrada a estória de CASTOR e POLUX, principais estrêlas da constelação de Gêmeos.
Segundo todos os relatos essas estrêlas representam dois irmãos que nunca se separavam, de tão devotados que eram um do outro.
A lenda mais famosa de CASTOR e PÓLUX trata de como findaram suas vidas aqui na terra. O poeta grego Píndaro conta que Castor foi ferido em uma batalha e Pólux correu para junto dele. Fez o que pode mas não havendo qualquer esperança de que sobrevivesse apelou para ZEUS, que era o seu pai.
Mal terminou de pedir e ZEUS aproximou-se dizendo:
Você pode vir para o OLIMPO e viver com os outros deuses ou se quiser pode viver com o seu irmão passando a metade de seu tempo na terra e a outra metade no lar dourado do firmamento. Pólux não hesitou um instante sequer. Desistiu da vida do OLIMPO, optando por compartilhar da luz e das trevas com o seu irmão.
Zeus, então, abriu os olhos de CASTOR e devolveu-lhe o alento. E, até hoje, na constelação de GEMEOS essas estrêlas brilham no firmamento por seis meses no ano e, na outra metade, semi-imersos na escuridão sob a linha do horizonte.
Mesmo sem considerar essas luzes do farol que iluminou a trajetória do senador Rui Carneiro penso que o legado do nome que carrega obriga o jovem parlamentar Rui Carneiro a manifestar-se sobre a posição tomada por Cícero Lucena, pois como dizia o Padre Antonio Vieira, no Sermão da Primeira Dominga do Advento:
“Sabei, cristão, sabei, príncipes, sabei ministros, que se vós há de pedir estreita conta do que fizestes; mas muito mais estreita do que deixastes de fazer. Pelo que fizeram, se hão de condenar muitos, pelo que não fizeram, todos”.”
TROCANDO EM MIUDOS: nosso leitor e critico está coberto de razão em levantar como necessidade de reativaçao contemporânea valores morais que hoje parecem demodê e não são. No minimo, Ruy vai precisar sair do torpor.

