E agora, como fica?

O fim-de-semana mostrou que o PSDB resiste na unidade interna para enfrentar o principal adversário, senador José Maranhão e aliados. Domingo, exatamente, ficou clara a renovação do grito – de – guerra de apoio do governador Cássio à candidatura de Cícero Lucena ao Senado, embora a admissibilidade de disputar a deputação federal seja a nova tendência posta.

Já tinha escrito – o que gerou cara feia de alguns – que o PSDB jogou todas as cartas num só contexto misturando lealdade com estratégia valorizando a cumplicidade de vidas entre Cícero-Cássio, mas isso poderia ser feito com precaução em favor deles dois.

Sejamos mais claro: o momento da reeleição de Cícero no PSDB, mais do que reforço e solidariedade ao ex-prefeito de João Pessoa significou a oportunidade perdida de manter o também ex-governador no comando do partido tendo Lauremilia Lucena na presidência – o que se configuraria em apoio público dando-lhe fôlego e tempo para cuidar do que mais preocupa – as denúncias de desvio de recursos federais.

Estar nas duas condições contraditórias enquanto essência afaga o ex-prefeito por um lado, até lhe revigora enquanto líder político, mas mistura coisas distintas produzindo risco maléfico, caso o desfecho do processo de investigações e de procedimento jurídico lhe renda alguma condenação.

Essa hipótese, não descartada, é a condição que, caso se efetive, pluga, gruda e mistura Cícero e Cássio num liquidificador político único sem dar chances de evitar respingo na figura do governador, candidato à reeleição.

A rigor, os dois andam siameses politicamente há muito tempo. Talvez seja por isso o entendimento dos dois auxiliados por assessores qualificados de que não adiantaria outra alternativa de condução do processo político do grupo. Será?

O caso em tela não significa descuidar e ignorar a relação profunda de amizade entre eles, motivo da exposição ferrenha de Cássio, domingo, mas busca revelar o desperdício de oportunidade de blindar o governador de respingos das acusações graves – embora eles digam que não é bem assim.

É, queiram ou não. As denúncias, embora careçam de comprovação, tiraram de Cícero a condição de disputar com Ney Suassuna o Senado por tudo o que significa de desgaste político devendo gerar rejeição eleitoral em curso.

Por isso, mesmo renovando a solidariedade plena ao amigo/aliado Cícero, o grupo bem que poderia ter ajudado mais fazendo Lauremília presidente do PSDB do que expor a fragilidade atual do atual presidente na relação externa do partido, mesmo não sendo recomendável condená-lo previamente.

O tempo dirá quem tem razão.

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