Debandada eleitoral: Quase metade da Esplanada deve sair para disputar cargos em 2026 e Lula prepara sucessão técnica

Foto: Ricardo Stuckert / Presidência da República

Com a aproximação do prazo eleitoral de 2026, o governo do presidente Lula se prepara para uma reforma ministerial de grandes proporções. A estimativa é de que quase metade dos atuais ministros deixe suas pastas para disputar cargos de governador ou senador. Para enfrentar esse cenário e evitar que a gestão sofra uma paralisia administrativa em um ano decisivo, o presidente Lula desenhou uma estratégia clara: a promoção dos secretários-executivos, conhecidos como os “números 2”, ao comando dos ministérios.

A principal preocupação do Palácio do Planalto é garantir que o ritmo de obras e projetos não seja interrompido. Lula avalia que o último ano antes da eleição presidencial deve ser marcado por entregas concretas e inaugurações.

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Ao elevar os secretários-executivos ao cargo de ministros, o governo assegura que a pasta continue sendo gerida por alguém que já domina a burocracia, conhece os processos internos e está a par de todos os projetos em andamento, como os do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Essa escolha técnica visa blindar a administração pública contra a “curva de aprendizado” que um novo ministro, vindo de fora do governo, inevitavelmente teria. Para o presidente, não há tempo a perder com adaptações em 2026.

Além do fator técnico, a promoção dos substitutos imediatos funciona como uma importante manobra de coordenação política. Ao preencher as vagas com nomes de confiança dos ministros que saem e do próprio Planalto, Lula evita abrir uma disputa antecipada entre os partidos da base aliada.

Se o presidente decidisse nomear novos políticos para as vagas, correria o risco de desencadear uma crise entre as legendas que compõem o governo, como o PSD, o MDB e o União Brasil, que brigariam por espaços estratégicos. Ao manter o perfil técnico dos “números 2”, o governo adia essas tensões e mantém a coalizão focada na governabilidade e nas votações importantes no Congresso Nacional.

De acordo com a legislação eleitoral brasileira, ministros de Estado que desejam concorrer a cargos eletivos nas próximas eleições devem se afastar de suas funções seis meses antes do pleito. Isso significa que, até o início de abril de 2026, uma leva de ministros — que planejam disputar governos estaduais ou cadeiras no Senado — terá que assinar suas cartas de demissão.

O desafio de Lula será equilibrar as ambições eleitorais de seus aliados com a necessidade de mostrar eficiência administrativa. A aposta é que, com secretários-executivos experientes no comando, os ministérios sirvam de vitrine positiva para o governo e auxiliem o próprio projeto de reeleição do presidente, minimizando os ruídos provocados pela saída de figuras políticas centrais da Esplanada.

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