O debate sobre liberação de jogos no Brasil é cada vez maior. Com a pandemia, a procura por sites e plataformas que oferecem jogos como blackjack online, pôquer, roleta, entre outros, cresceu assustadoramente, em um negócio que movimenta bilhões de reais. Segundo o ministério da Economia, os apostadores brasileiros movimentaram cerca de R$ 4 bilhões em 2020.
Nada desse dinheiro, no entanto, vai para os cofres públicos. Como o Brasil não tem uma legislação sobre o tema, as empresas de jogos de azar online estão sediadas em países do exterior. Sem tributar nenhum desses ganhos, o governo brasileiro perde a chance de melhorar sua arrecadação em um momento de crise econômica.
Por isso, muitos especialistas defendem a rapidez para que o Brasil faça um marco regulatório de jogos para sanar questões jurídicas da prática. Atualmente, há um grupo de trabalho na Câmara dos Deputados para atualizar um Projeto de Lei sobre o tema. O texto final do grupo será votado em breve no plenário da Casa.
A tese, que é defendida por parte da classe política, também tem adeptos na sociedade civil. Recentemente, em artigo publicado no site do jornalista Cleber Toledo, o economista, especialista em Gestão Pública, professor e consultor, Tadeu Zerbini defendeu a liberação dos cassinos e jogos de azar no Brasil.
“Existem cassinos em muitos países do mundo, inclusive aqui da América Latina, que geram empregos, renda e impostos e são considerados importantes para a economia e para as políticas sociais. No Brasil estão tapando o sol com a peneira porque a internet permite apostas de tudo que é tipo e em todos os lugares do mundo que geram empregos e impostos em outros países”, diz um trecho do artigo.
Ele argumenta que muitos brasileiros “quando querem jogar”, vão ao exterior, em países como EUA e Uruguai. “E o pior, fazem isso com dólares, deixando outros países mais ricos do que o Brasil”, diz ainda o consultor.
Para ele, o Brasil está passando por um processo que é complicado sobre as apostas, mas que faz parte da educação do povo brasileiro sobre o tema. “Quebrar paradigmas, crenças e resistências não é fácil, porém é necessário que os políticos brasileiros atentem para as crises econômica e pandêmica que o Brasil vem suportando.”
Ele também critica a ideia de que os cassinos são uma vertente contrária ao que prega as religiões. Atualmente, membros da bancada evangélica na Câmara dos Deputados mantêm cautela em relação ao tema. “Esta história de que os cassinos vão contra o que pregam as instituições religiosas não cabem mais no século 21. Cada brasileiro deve ter a liberdade de escolher o que fazer com seu dinheiro, seja jogando, bebendo, poupando ou investindo”, afirma o economista.
Para ele, tudo passa pela fiscalização. “Se houver uma boa fiscalização e se não houver corrupção no setor, as receitas tributárias da união, estados e municípios serão incrementadas consideravelmente. O setor do turismo será muito beneficiado. O mercado imobiliário será estimulado a investir. Os patrocínios no esporte e nas plataformas multimídias serão bem maiores e a atração de investimentos do exterior será uma oportunidade única para o crescimento do país”, analisa.
Por fim, Tadeu Zerbini afirma que “está na hora de deixarmos os preconceitos de lado” e que devemos “pensar em um país moderno, dinâmico e com políticas sociais justas e humanas”. “Não devemos acreditar que pensamentos retrógrados e repletos de obscurantismo atrasem ainda mais o crescimento econômico do Brasil”, finaliza o consultor.
