O Japão afirmou nesta quarta-feira (23) que irá fechar sua embaixada no Mali devido à piora da situação de segurança no país, devastado por um conflito.
“O Japão irá fechar temporariamente sua embaixada no Mali devido ao agravamento da segurança no país, incluindo na capital Bamako. Os funcionários irão continuar suas operações na embaixada na França”, segundo um comunicado do ministério das Relações Exteriores.
Segundo o comunicado, os funcionários da embaixada irão sair assim que os preparativos forem concluídos, provavelmente por volta de 27 de janeiro.
A decisão foi tomada um dia depois de o Japão anunciar que pelo menos sete dos seus cidadãos foram mortos em uma crise de reféns na vizinha Argélia.
Os sequestradores disseram ter lançado o ataque em protesto pela cumplicidade da Argélia em uma operação militar francesa contra os islamitas do Mali.
Ataque na Argélia
A ocupação terrorista, que durou quatro dias, terminou no sábado (19) em um ataque final das forças especiais do Exército argelino. As forças argelinas libertaram 685 funcionários argelinos e 107 estrangeiros, segundo informações divulgadas no sábado.
O exército recuperou um arsenal considerável, segundo o Ministério: seis submetralhadoras, 21 fuzis, dois fuzis com mira telescópica, dois morteiros de 60 mm com munição, seis mísseis com rampa de lançamento, dois RPG7 com oito foguetes e 10 granadas dispostas em cintos explosivos.
Foram encontrados, além disso, “uniformes militares estrangeiros, munições e explosivos”, acrescentou a nota. A imprensa e governos reclamaram constantemente da maneira como as autoridades gerenciaram a crise e da falta de informação confiável disponível.
O reinício das atividades de produção do complexo “dependerá do tempo que levará a busca por explosivos”, explicou o ministro da Energia, Youcef Yousfi, assegurando que o sequestro não afetou as exportações de gás do país.
Escalada no conflito
O ataque se transformou em uma das maiores crises com reféns internacional das últimas décadas, colocando a questão da militância islâmica do Saara no topo da agenda global.
Os militantes responsáveis pelo sequestro, ligados à rede terrorista da Al-Qaeda, ameaçaram realizar mais ataques a instalações do setor de energia na Argélia.
A crise de reféns representou uma séria escalada no conflito no noroeste da África, para onde tropas francesas foram enviadas na semana passada para combater a tomada de cidades da República do Mali por grupos islamistas.

