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Paraíba

07/05/2013


CRM é contra vinda de médicos cubanos

RC é a favor

Nesta segunda-feira, 6, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, revelou que o governo brasileiro está se preparando para “importar” 6 mil médicos cubanos para trabalhar no interior do país. A justificativa para a migração é o déficit de profissionais de medicina no Brasil que queiram atuar nestas cidades.

Para validar a vinda dos profissionais que estudaram em Cuba, o Brasil precisa encontrar uma solução, para o reconhecimento dos diplomas. Atualmente, menos de 10% dos médicos que querem atuar no país são aprovados na prova de revalidação do diploma.

Assim como em todo o Brasil, as cidades do interior da Paraíba também sofrem com a falta de médicos, no entanto, o presidente do Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB), João Gonçalves de Medeiros, afirmou que a postura da representação nacional e regional do conselho é contra essa atitude do Governo Federal.

Ricardo admite estar buscando validar diploma de médicos de Cuba para atuar na Paraíba

“A contratação desses médicos é inconstitucional, pois para atuar no país ele precisam ter o diploma expedido por uma faculdade brasileira ou passar pela revalidação do diploma. O não cumprimento dessas determinações irá ferir a lei”, destacou o presidente do CRM-PB.

Ainda para João Gonçalves, a qualidade dos profissionais formados em Cuba é discutível. “Membros do Conselho Federal de Medicina estiveram em Cuba visitando as universidades, e constataram que o ensino é simplificado, o que poderia causar um risco para a população brasileira. Outro problema é a dificuldade com a língua”, disse.
De acordo com informações do CRM-PB, existem atualmente cerca de 400 mil médicos no Brasil, o que faz com que o país ocupe a 5ª colocação mundial pela quantidade de profissionais. Outro número relevante é que o país ocupa o 2º lugar no número de escolas de medicina, perdendo apenas para a Índia.

Questionado sobre a carência de profissionais nessas localidades, João Gonçalves explicou que não é apenas por motivos salariais que os médicos não querem atuar nas cidades do interior: “O médico também precisa de um local de trabalho adequado, não apenas de salário. Muitas cidades não possuem laboratórios, máquinas de Raio X, e outros equipamentos necessários para o um atendimento adequado do paciente”.

Uma das sugestões dada pelo presidente do CRM-PB é que o Estado crie a carreira de médico do estado, assim como existe na área jurídica. Desta forma haveria uma melhor distribuição dos profissionais na Paraíba.

A redação do Portal WSCOM tentou entrar em contato com o secretário de Saúde do Estado, Waldson Sousa, para saber se médicos cubanos irão atuar nas cidades paraibanas, porém, não obteve êxito.

Porém, o governador Ricardo Coutinho defende abertamente a importação dos profissionais. Em setembro de 2011 ele viajou a Cuba e uma das pautas era justamente estudar como viabilizar a vinda de médicos cubanos para a Paraíba. Na época, o governo vivia uma crise intensa com a classe médica do estado.