Quatro grandes datas sazonais vão injetar R$ 65 bilhões no e-commerce brasileiro até o Natal

A Abiacom projeta que o e-commerce brasileiro faturará R$ 258,4 bilhões em 2026. As 4 grandes datas do 2º semestre injetarão R$ 65 bilhões.
(Foto: Reprodução)

Após aquecer as vendas no primeiro semestre com datas como o Dia das Mães e o Dia dos Namorados, o e-commerce brasileiro projeta manter o ritmo aquecido até o fim do ano. Estimativas da Associação Brasileira de Inteligência de Mercado e Comércio Eletrônico (Abiacom) apontam que o varejo digital deve atingir R$ 258,4 bilhões em faturamento em 2026, impulsionado por um crescimento anual de 10% que reflete a consolidação dos hábitos de compras virtuais no país.

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Esse cenário ganha sustentação com as projeções das quatro principais campanhas sazonais da metade final do ano, que devem injetar R$ 65,07 bilhões no e-commerce. O calendário começa com o Dia dos Pais em agosto, que deve gerar R$ 10,56 bilhões em vendas, seguido pelo Dia das Crianças, com expectativa próxima a data anterior, que projeta movimentar R$ 10,16 bilhões.

O maior volume financeiro será concentrado na Black Friday, com uma arrecadação prevista de R$ 14,75 bilhões e o maior tíquete médio isolado do mercado, de R$ 808,50, e a última no Natal, que lidera em volume ao projetar R$ 29,60 bilhões em vendas totais e 42,24 milhões de pedidos.

“A projeção de faturamento para as principais datas do varejo online mostra que comprar online já é um hábito incorporado de forma definitiva à rotina de consumo do brasileiro. Em um mercado cada vez mais competitivo, o diferencial para o varejista está em transformar esse volume de acessos e transações em relacionamentos duradouros e mais rentáveis, aproveitando cada interação ao longo da jornada de compra”, analisa Eduardo Esparza, VP General Manager da Tenerity Ibéria e LATAM, empresa especialista em engajamento que aumenta o valor do relacionamento entre empresas e seus clientes.

Ao mesmo tempo, o crescimento do setor vem acompanhado de desafios para a rentabilidade. Indicadores divulgados recentemente pela Nuvemshop, com base em mais de nove milhões de transações em 2026, apontam que, embora o faturamento do setor apresente avanço, o tíquete médio geral recuou 5,4%, caindo para R$ 269,46. O comportamento reflete um consumidor mais cauteloso, que prioriza compras fracionadas e busca por descontos, o que demanda atenção extra e novas táticas dos varejistas para preservar as margens de lucro.

Estratégias integradas no pós-compra

Para compensar a redução no valor médio das compras e ampliar a rentabilidade dos varejistas, especialistas defendem uma visão de longo prazo para o relacionamento com o consumidor, com investimentos em experiências de pós-compra e a oferta de benefícios para os clientes, por exemplo.

“Em um ambiente de forte concorrência, crescer não depende, necessariamente, de vender mais, mas de gerar mais valor em cada venda realizada. É preciso ir além da venda do produto e adotar abordagens estratégicas em locais como, por exemplo, a página pós-compra”, complementa Esparza.

Segundo o executivo, a maturidade do comércio eletrônico também abre espaço para o avanço das estratégias de retail media durante a experiência de compra. A página de confirmação do pedido, tradicionalmente pouco explorada, passa a representar uma oportunidade para ampliar receita e fortalecer o relacionamento com o consumidor.

“Quando a página de confirmação deixa de ser apenas uma etapa operacional e passa a oferecer anúncios relevantes, ela se transforma em um novo canal de geração de valor. O varejista cria uma oportunidade adicional de receita e fortalece a relação entre a marca e o cliente”, conclui Eduardo.

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