ONS reduz geração de energia renovável durante jogo do Brasil para garantir estabilidade do sistema elétrico

Queda de 21% no consumo durante a partida contra o Japão levou operador a cortar cerca de 20 GW de energia eólica e solar; órgão já prepara operação para o próximo confronto da Seleção.

Centro de operação do ONS monitora o sistema elétrico durante partida entre Brasil e Japão na Copa do Mundo de 2026.
(Foto: Reprodução)

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) informou que precisou reduzir em aproximadamente 20 gigawatts (GW) a geração de energia eólica e solar durante a partida entre Brasil e Japão, disputada na tarde de segunda-feira (29), pela Copa do Mundo de 2026. A medida teve como objetivo preservar a estabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN) diante da forte queda no consumo de energia registrada durante o jogo.

De acordo com o órgão, a demanda por eletricidade caiu significativamente porque parte da população interrompeu suas atividades para acompanhar a estreia da Seleção em um horário incomum, às 14h. Ao mesmo tempo, as usinas solares operavam com alta capacidade de produção, cenário que exigiu ajustes imediatos na oferta de energia.

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Durante o confronto, o consumo nacional recuou cerca de 21%, atingindo 66.515 megawatts médios próximo ao intervalo da partida. Logo após o apito final, às 16h02, a situação se inverteu: em apenas uma hora, a carga do sistema aumentou 12.783 MW, volume equivalente ao consumo conjunto dos estados de Minas Gerais e Paraná.

Em nota, o ONS explicou que a redução na geração renovável ocorreu em razão da combinação entre a elevada produção de energia distribuída e a baixa demanda registrada naquele momento.

Segundo o operador, a decisão buscou “prevenir riscos à estabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN) e evitar a perda de controlabilidade do sistema, preservando a segurança e a continuidade do fornecimento de energia à sociedade”.

O corte representou cerca de 10% da capacidade das grandes usinas conectadas ao sistema elétrico nacional e evidencia um desafio crescente do setor elétrico brasileiro. Nos últimos anos, o avanço da geração renovável, especialmente da energia solar, aliado às limitações da infraestrutura de transmissão, tem provocado restrições na produção, perdas financeiras para empresas do setor e até o adiamento de novos investimentos.

O ONS ressaltou, no entanto, que não foi necessário realizar cortes emergenciais na geração das pequenas usinas ou dos sistemas de energia solar instalados em residências, empresas e propriedades rurais.

O diretor-geral do órgão, Marcio Rea, afirmou que a equipe já iniciou o planejamento da operação para o próximo jogo da Seleção Brasileira, marcado para o dia 5 de julho. Segundo ele, a expectativa é de uma audiência ainda maior, o que poderá aumentar a complexidade da operação do sistema elétrico nacional.

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