Quem vestiu a carapuça?

Foto: CNBB

É curioso quando um candidato da extrema direita se sente incomodado com uma mensagem de bispos católicos que recomenda ao eleitor votar em quem defenda a democracia, a inclusão social e a soberania nacional.

Detalhe importante: não havia nome de candidato na mensagem. Então fica a pergunta: por que a indignação? Se o candidato se considera defensor da democracia, da inclusão social e da soberania nacional, bastaria receber a recomendação com naturalidade. Afinal, quem se identifica com esses princípios não deveria enxergar neles uma ameaça eleitoral.

Mas ele reclamou. E, ao reclamar de uma mensagem que não o mencionava, acabou fazendo aquilo que nenhum adversário precisaria fazer por ele: vestiu a carapuça e anunciou que ela servia.

A Igreja não precisou dizer em quem votar. Apenas lembrou quais valores deveriam orientar o voto. Quem se incomoda com democracia, inclusão social e soberania nacional talvez esteja oferecendo ao eleitor uma pista importante sobre o projeto que pretende levar às urnas.

No dia da eleição, portanto, não basta olhar para a propaganda, os discursos e as promessas. É preciso observar também quem se irrita quando esses princípios são colocados no centro do debate.
Porque, às vezes, o candidato fala pouco e a própria reação fala por ele.

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