Assustado Ruth Avelino comemora bodas de prata do seu casamento com a música disco e a diversidade humana nesta sexta (14)

Sobre a mudança na pista de dança, a jornalista Ruth Avelino, destaca a chegada de novas gerações e a consolidação de um ambiente plural.

Ruth Avelino durante edição do Assustado no Clube Cabo Branco, em João Pessoa
Foto: Divulgação

Quando uma música ganha o mundo, ela perde o domínio do seu criador. Ao adentrar os primeiros ouvidos alheios, a criação freudianamente mata o pai e começa a viver na vida de quem lhe esbarre. A estreia de uma música é o nascimento para a eternidade. Nós envelhecemos, elas desconhecem o tempo.

Noves fora as acusações de saudosismo, a nostalgia que embala as atuais primeiras sextas-feiras do mês do Clube Cabo Branco não merece o ataque pelo suposto descompasso temporal. Dançar ao som dos hits das décadas finais do século XX não são lamentos pelos tempos passados que sabidamente não retornarão. São celebrações de uma possibilidade de vida em que nada deixará de tocar dentro da gente.

Há 25 anos, Ruth Avelino e seu Assustado celebram as celebrações.

Renovação de público e diversidade

A longevidade do evento reflete diretamente as transformações do seu próprio público ao longo do tempo. Se no início dos anos 2000 a festa reunia um público mais restrito e focado em faixas etárias acima dos 40 anos, a retomada pós-pandêmica em 2022 marcou uma expansão expressiva tanto em volume quanto em perfil sociodemográfico.

Foto: Divulgação / Assustado 2026

Siga o canal do WSCOM no Whatsapp.

Sobre essa mudança na pista de dança, a jornalista idealizadora e produtora da festa, Ruth Avelino, destaca a chegada de novas gerações e a consolidação de um ambiente plural.

“Depois da pandemia, com a retomada em maio de 2022, a festa começou a ter um público muito maior, um público na casa dos 700, 800 pessoas, e também a invasão do público mais jovem, né? É muito impressionante como o público a partir de 18 anos, 20, 30 começou a frequentar a festa. E também a gente nota também um crescimento do público LGBT, que é uma coisa que me satisfaz muito. Eu gosto muito de fazer uma festa, que não é uma festa gay, mas é uma festa eclética, onde eu tenho vários públicos, várias gerações, várias tribos ali por dentro se divertindo de uma forma bacana, em harmonia e com muito respeito mútuo”, avaliou a produtora.

Identidade sonora e repertório original

Diferente de outras festas do gênero que apostam em novas arrumações e batidas eletrônicas contemporâneas, o Assustado mantém como pilar estético o apego às versões originais das canções dos anos 70, 80 e 90, inserindo recentemente produções do início dos anos 2000. A curadoria musical conta com a participação direta da própria idealizadora, que também assumiu o comando das picapes na abertura das noites.

“Uma das coisas que mais marcam o Assustado de Ruth Avelino é a playlist, porque eu não gosto de remixagem, eu não gosto de músicas com aquela batida eletrônica, mesmo que sejam gravações de músicas antigas. Então a gente tenta botar sempre as músicas com a gravação original. É o repertório anos 70, 80, 90, esse ano a gente começou a colocar alguma coisa de 2000, logo do comecinho e eu tô sempre muito atenta a tudo”, explicou Ruth.

A produtora detalhou ainda sua atuação na primeira hora de evento: “Agora eu também sou DJ, eu toco de 8 até às 9 da noite, fazendo ali o esquenta, quando o povo tá chegando, e eu também me preocupo muito com esse repertório. Eu toco aquelas coisas mais lentas, mais calminhas, sabe? Mas sempre atenta à questão dos anos 70, 80 e 90, que foram as músicas que marcaram minha vida e eu acho que marcam a vida das pessoas também, todas elas que frequentam”.

Foto: Acervo / Assustado 2015

Pioneirismo e o fenômeno retrô

Pioneiro na capital paraibana desde 2001, o Assustado serviu como ponto de partida para a consolidação da cena de festas disco e retrô no estado. Para Ruth, o surgimento de novas iniciativas dialoga com uma tendência global de valorização do vintage e estimula a cultura local sem comprometer o público cativo que acompanha o projeto há mais de duas décadas.

“Nós começamos essa festa em 2001, não tinha outra. E agora nos últimos dois anos, realmente houve uma avalanche de música retrô. Eu acho que essa é uma tendência nacional e até mundial, essa coisa do retrô, do vintage, tá muito em moda. As pessoas estão muito nessa onda, não só na música, mas na vestimenta, nos móveis, nos costumes, enfim. E eu acho sim que minha festa estimulou, inclusive tem frequentadores da minha festa que estão fazendo festa”, pontuou.

“Eu acho muito legal, acho que tem espaço para todo mundo. Eu tenho um público muito cativo, um público que curte muito, tenho essa característica de fazer uma festa mais eclética para várias faixas etárias, para várias tribos”, acrescentou a produtora.

Foto: Divulgação / DJ Astek, Ruth Avelino e DJ Zé Marcos

Legado e perspectiva de futuro

Ao completar 25 anos de história, o evento coleciona marcas expressivas, como edições especiais no ginásio do Clube Cabo Branco para mais de 1.500 pessoas, parcerias em shoppings e apresentações com público superior a 3 mil pessoas no Natal da Usina. A continuidade da festa passa pela atuação de uma equipe familiar e pela preservação do evento como patrimônio cultural de João Pessoa.

“Eu tenho uma equipe que trabalha comigo hoje, minha sobrinha neta Luísa, e tem o meu DJ Zé Marcos, que ele não é só meu DJ, ele é meu parceiro nessa festa. A gente fala muito sobre o futuro dessa festa. Minha sobrinha é mais jovem, tem 26 anos, então ela fica ali me estimulando a fazer coisas, a inovar. Ela que inclusive teve a ideia de fazer essa festa no ginásio. Então eu enxergo o Assustado como uma festa que vai se manter, sempre inovando”, afirmou Ruth.

Sobre a sucessão do projeto a longo prazo, a idealizadora concluiu: “Eu enxergo como um futuro bacana. Acho que quando eu parar, quando eu não tiver mais forças, eu penso que Luísa e minha filha Cecília podem tocar essa festa. Eu acho que essa festa já é um patrimônio da cidade. O futuro a Deus pertence, mas estamos abertos para trabalhar até enquanto eu tiver forças”.

Mais Posts

Tem certeza de que deseja desbloquear esta publicação?
Desbloquear esquerda : 0
Tem certeza de que deseja cancelar a assinatura?
Controle sua privacidade
Nosso site utiliza cookies para melhorar a navegação. Política de PrivacidadeTermos de Uso