A partir do século XIX, surgiu um movimento político, social e filosófico com o objetivo de fortalecer o papel da mulher, buscando inseri-la em uma sociedade que historicamente se estrutura de forma patriarcal. Essa luta ficou conhecida como “empoderamento feminino”, pautando-se na reivindicação da igualdade de direitos entre homens e mulheres.
Por milênios, a mulher foi vista como um ser inferior ao homem, impedida de desfrutar de privilégios concedidos exclusivamente ao gênero masculino, como ler, escrever e votar, sendo relegada, quase que exclusivamente, aos afazeres domésticos, em submissa obediência às figuras paternas ou conjugais. Ainda que tenham conquistado avanços significativos no acesso a espaços sociais, políticos e econômicos, as mulheres continuam enfrentando inúmeras barreiras que precisam ser superadas.
Essa luta não deve ser vista como uma guerra entre os gêneros, como declarou Frei Gilson em sua pregação na madrugada do dia 8 de março do ano passado, Dia Internacional da Mulher, por ocasião da Quaresma Digital. Mais recentemente, em vídeos que circulam nas redes sociais, ele associa o empoderamento feminino a uma “ideologia dos tempos atuais”, defendendo a liderança masculina no lar. “É claro ver que Deus deu ao homem a liderança. É claro ver que Deus deu ao homem ser o chefe. Isso está na Bíblia. O homem é o chefe do lar. O homem foi dado a ele a liderança. Mas a mulher tem o desejo de poder. Não é desejo de serviço, desejo de poder. Repito a palavra, empoderamento. Essa palavra é do mundo atual”, afirmou.
O empoderamento feminino não se trata apenas de uma disputa por poder, mas sim da busca pelo direito da mulher ter controle sobre a própria vida em todos os aspectos que historicamente foram reservados aos homens. O próprio Papa Francisco divergia da visão do missionário católico, o que ficou evidente ao elevar a memória de Maria Madalena ao título de apóstola, um gesto que pode ser interpretado como uma contestação da cultura patriarcal machista, que nega às mulheres o protagonismo no círculo dos discípulos de Jesus.
Na ocasião, o Papa publicou um tuíte com a seguinte afirmação: “Às mulheres devem ser confiadas funções e responsabilidades maiores. Quantas opções de morte seriam evitadas se estivessem precisamente as mulheres no centro das decisões! Empenhemo-nos para que sejam mais respeitadas, reconhecidas e envolvidas.”
O discurso político do frade, ideologicamente ultraconservador, não está em consonância com o pensamento do Sumo Pontífice e, portanto, também, da orientação oficial da Igreja Católica.