O governo de Javier Milei prometeu um choque para salvar a economia argentina. Entregou, até agora, uma recessão profunda e um custo social imediato.
Os dados falam por si: queda do PIB, aumento do desemprego e avanço acelerado da pobreza. Não se trata de um efeito colateral inesperado, mas do resultado previsível de um ajuste que corta gastos, desmonta políticas públicas e reduz o papel do Estado de forma abrupta. A conta, como de costume, recai sobre os mais vulneráveis.
A aposta do governo é clara: suportar a dor no presente em nome de uma promessa de estabilidade futura. Mas essa promessa é abstrata diante de uma realidade concreta de perda de renda, insegurança e deterioração das condições de vida. Ajuste econômico que ignora impacto social não é solução, é aprofundamento da crise.
Ao mesmo tempo, o estilo político de Milei agrava o cenário. A confrontação permanente, o desprezo por adversários e o alinhamento com agendas ideológicas polarizadoras aumentam a tensão em um país já fragilizado. Economia e política caminhando juntas e ambas apontando para mais instabilidade.
O caso argentino deveria servir de alerta. Não há atalhos indolores para crises complexas, mas há escolhas piores. Transferir o peso do ajuste para quem menos pode suportá-lo é uma delas.
No fim, a pergunta é simples: estabilizar a economia a qualquer custo é, de fato, um caminho sustentável, ou apenas uma forma de trocar uma crise por outra?
Essa pergunta deve ser feita em nosso país, num ano em que elegeremos o presidente da República que dirigirá nosso destino nos próximos quatro anos. Não podemos cometer o mesmo erro dos argentinos.