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O FUTEBOL E AS CHUTEIRAS DE OURO

13/07/2014


Foto: autor desconhecido.

 O negócio do futebol é um cada vez mais rentável, e disso não temos dúvida. Poucos eventos no mundo conseguem movimentar tantos países ao mesmo tempo, envolver jogadores, clubes, empresários, investidores, patrocinadores, mídia em geral. O resultado disso ultrapassa a barreira de simples transações movimentando nações inteiras, expandindo para o universo. É essa a realidade de valores entregues com a realização de uma Copa do Mundo, como a que acabamos de assistir em nosso Brasil.

O esporte vinculado ao futebol movimenta o turismo, bolsas de valores, logística, mobilidade, construção civil, mídia em geral, e muito outros setores da economia, até com a construção de cidades modelo dando suporte a grandes eventos; tudo isso a partir de uma bola que rola e a busca de troféus. O grande campeonato que passa desde, simbolicamente, os pés de pequenos atletas que muita vez, porque não dizer, na maioria das vezes, inicia sua carreira de sonhos e esperanças nas favelas, como mostra o filme animação oficial da FIFA, indo resultar na melhoria de vida e qualidade para todos.

O sonho de fama e fortuna de milhares de jovens candidatos a craques, verdadeiras estrelas mirins, começa pelas peneiras promovidas por captadores, ou caça-talentos, os agentes especializados em identificar, diagnosticar e contratar futuras personalidades do futebol mundial. Desde pequenos, caso do Neymar que aos 17 anos foi contratado sem nunca ter entrado em campo, são firmados acordos operacionais com as famílias, mantendo o compromisso de salários expressivos.

Jogadores com essa perspectiva atraem investidores como abelhas ao mel. Em pouco tempo de treinamento e início de carreira seus contratos multiplicam de valor, e passam a ser negociados entre clubes com ofertas de milhões de dólares, contratos de patrocínio e muito mais. Inimagináveis quantias aos nossos olhos, aos olhos de nossos clubes brasileiros endividados, que tentam segura-los para valorizar o título dos craques.

A partir de 1962 o Brasil passou a conhecer o grande negócio das chuteiras de ouro, quando o Juventus ofertou a proposta de 250 milhões de cruzeiros pelo passe do jogador Amarildo, do Santos. Na época, um escândalo que ganhou espaço na mídia nacional e a controvérsia por conta do Santos, que se negara a tal transação, nunca vista igual. Uma proposta por um garoto humilde de Vila Isabel, que andava de lotação e agora passara a valer 16 vezes o prêmio da Loteria Federal, da época.

Pelé, Maradona, Ronaldo, Ronaldinho, Messi, Neymar, e muito outros, são nomes que passaram a valorizar o negócio do futebol, ilustrando suas camisas e seus países, andando em parceria com as grandes marcas como a Nike, Adidas, e outras, não só de produtos esportivos, mas também alimentícios, energéticos, bancos, automóveis, e tudo o mais. São os chamados `Chuteiras de Ouro´.

Para esse evento que acabamos de vivenciar em nosso país uma outra campeã, a presidente Dilma; pela vitoriosa experiência de gestão conquistada à frente de tantos problemas que ameaçavam a sua realização. O pulso de sua gestão teve planejamento diversas vezes corrigido e criticado, as greves pelo país, o atraso de obras, a mídia maximizado contra a imagem do Brasil aqui e lá fora, entre outras ações. A Seleção Brasileira perdeu o campeonato, impactando menor o resultado, é verdade; mas o país e seu povo deram grande exemplo de conquista e isso também vale ouro. Isso também é marketing. Fica o registro.

Gil Sabino é jornalista e gestor de marketing.
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