Saúde

Maio Roxo: mês de conscientização das doenças inflamatórias intestinais


04/05/2021

Fernando Jorge F. Nóbrega, médico gastroenterologista

Por SGPB

O mês de maio foi escolhido para alertar e conscientizar sobre as doenças inflamatórias intestinais (DII), que apresentam como representantes a retocolite ulcerativa e a doença de Crohn.

A retocolite ulcerativa promove inflamação contínua das camadas superficiais do intestino grosso, iniciando-se no reto, ao passo que a doença de Crohn pode promover inflamação salteada de todas as camadas, não só do intestino grosso, mas de qualquer segmento do trato gastrointestinal, desde a boca até o ânus.

São doenças do trato gastrointestinal de grande impacto socioeconômico, tendo em vista seu caráter autoimune, incuráveis e com poder de progressão, quando seu diagnóstico não é firmado precocemente ou de maneira adequada. As DII são consideradas fatores de risco para o câncer de intestino.

No Brasil, dados do DATASUS revelaram uma prevalência aproximada de 80 casos para 100.000 habitantes, contudo estes números são considerados maiores por diversos pesquisadores, já que há um atraso no diagnóstico destas condições. A Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e Doença de Crohn (ABCD), em pesquisa realizada no ano de 2017, evidenciou que cerca de 40% dos casos demoraram mais de um ano para terem seu diagnóstico confirmado, mostrando uma longa jornada percorrida por estes pacientes.

De causas desconhecidas, afetam principalmente pacientes jovens, apesar da doença ocorrer em qualquer idade. Cerca de 60% dos pacientes encontram-se entre os 15 e os 40 anos de idade. Seus principais sintomas, que podem variar de leve a grave, são:

• Diarreia crônica (acima de 4 semanas);
• Dor abdominal prolongada, especialmente no baixo ventre;
• Sangramento ou muco nas fezes;
• Urgência ou vontade intensa para evacuar;
• Perda de peso;
• Lesões ao redor do ânus (fístulas);
• Febre e fadiga;
• Manifestações em outros órgãos (ossos, pele, olhos, fígado).

Não há um exame específico para diagnóstico, sendo necessária a associação de exames não só laboratoriais e fecais, mas também endoscópicos, como a colonoscopia ou retossigmoidoscopia, biópsias ou até exames de imagem, como a tomografia ou a ressonância magnética.

Apesar de doenças crônicas e sem cura, as medicações disponíveis atualmente reduzem a inflamação e habitualmente controlam os sintomas, podendo os pacientes apresentarem vida ativa e produtiva. Em casos selecionados, o tratamento cirúrgico é a modalidade terapêutica escolhida.

Portanto, ações como o maio roxo são fundamentais para divulgação e conscientização sobre as DII, promovendo não só o reconhecimento precoce destas doenças, mas também o tratamento em período mais adequado, restaurando a qualidade de vida e evitando danos progressivos aos pacientes.

Por Dr. Fernando Jorge F. Nóbrega, médico gastroenterologista.

SOBRE O AUTOR

Dr. Fernando Jorge Firmino Nóbrega, é diretor científico da Sociedade de Gastroenterologia da Paraíba. Ele tem graduação em medicina (2010) pela Universidade Federal da Paraí­ba (UFPB); residência médica em Clí­nica Médica (2013) pelo Hospital Getúlio Vargas de Pernambuco (SES-PE); residência médica em Gastroenterologia (2015) pelo Hospital das Clí­nicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – Universidade de São Paulo (HCFMRP-USP); treinamento em Endoscopia Digestiva Alta (2013-2015) no Centro de Endoscopia Digestiva do (HCFMRP-USP); médico Assistente do Serviço de Gastroenterologia e Hepatologia do Hospital Universitário Lauro Wanderley – Universidade Federal da Paraí­ba (HULW-UFPB); e membro do Grupo de Estudos da Doenças Inflamatória Intestinal no Brasil (GEDIIB).

 

Leia outros artigos

Os comentários a seguir são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.